domingo, 7 de outubro de 2007

O ator que se disputa

O ator que se disputa

Assassinato como parte dos negócios



Não é objetivo deste blog noticiar casos policiais, mas de acordo com a descrição abaixo do título que informa sobre o conteúdo (Quase Tudo Sobre Filmes Pornô Gay) permite-se aqui um amplo campo de discussões onde quase tudo entra; quando há milicos, então, é que o assunto se encaixa mesmo. Diante de suas particularidades é imperativo deixar os leitores brasileiros informados sobre este caso pornopolicial.

A rivalidade entre produtores dos filmes pornô gays chegou à últimas conseqüências em 24 de janeiro deste ano com a morte de Bryan Charles Kocis (1963-2007), ou Brian Phillips, proprietário, produtor e diretor do estúdio Cobra Vídeo (EUA). O caso foi noticiado neste blog em fevereiro e março últimos quando ainda não havia sido esclarecida a autoria nem o motivo do violento assassinato. Kocis foi ferido com várias punhaladas e estrangulado, depois o corpo e a casa foram incendiados.

Em maio, no intercurso de uma investigação pra lá de controversa, a polícia de Virginia Beach prendeu, sem muita surpresa pra quem vem acompanhando o caso desde quando começou a busca por um homem chamado de "Danny Moilin", sabido depois ser o pseudônimo de Harlow Raymond Cuadra, 25. Com ele também foi preso Joseph Manuel Kerekes, 33, ambos acusados de serem os autores do homicídio. O motivo do crime seria, com a morte de Kocis, viabilizar a contratação de Sean Paul Lockhart (Brent Corrigan, como aparece nos filmes da produtora Cobra; Fox Ryder, como aparece nos filmes da produtora Falcon) pela produtora
Boy Batter, de propriedade dos acusados. Lockhart foi e ainda é uma estrela em ascensão no pornô gay, vestido parece Paolo Nutini, sem roupas é melhor. Já deu e pode dar muito mais, é o ator que se disputa, um contrato com ele pode render alguns milhões de dólares. Diante dessas cifras o mercado de filmes pornô gays tornou-se um tão competitivo como qualquer outro. O que faltava acontecer era apenas um assassinato como parte dos negócios.

Diante dos fatos levantados pela polícia e divulgados pela imprensa ficou muito fácil chegar aos autores e difícil acreditar na inocência de Cuadra e do cúmplice Kerekes. A história começou entre 9 e 12 de janeiro, durante a entrega do prêmio
AVN, em Las Vegas. Num restaurante chamado Le Cirque reuniram-se Cuadra, Lockhart e mais os parceiros de cada um, Kerekes e Grant Roy. Nesta ocasião Cuadra perguntou se Lockhart aceitaria trabalhar para a produtora Boy Batter se Kocis fosse “eliminado”. Lockhart estava impedido de assumir outros compromissos profissionais por ter um contrato com o estúdio Cobra Video, que o havia lançado anos antes, o que não impediu este de estrelar The Velvet Mafia 1 e 2, da Falcon, um blockbuster de 2006. Este contrato era motivo de uma disputa judicial que não favorecia o ator. A resposta de Lockhart pode ter dado a Cuadra esperanças de tê-lo no cast da produtora, juntos poderiam dar trepadas milionárias. Se naquele dia Cuadra teve tais esperanças elas eram improváveis. Lockhart é uma estrela para uma produtora, como a Falcon, que já lhe tinha aberto as portas em uma grande produção, como protagonista, não para uma pequena produtora da Virgínia. E de fato não houve nenhuma assinatura de contrato entre Lockhart e a Boy Batter.

Em 22 de janeiro de 2007, dois dias antes do crime, Cuadra registrou uma conta de e-mail para contatar Kocis e usou o cartão de crédito e a carteira de motorista para locar o carro usado para chegar no local do crime. A polícia descobriu e-mails no computador de Kocis trocados com Cuadra usando o pseudônimo de "Danny Moilin", marcando um encontro na noite do crime. Descobriu-se também que o automóvel locado havia percorrido aproximadamente a distância que separa a locadora, na Virgínia, da cena do crime, na Pennsylvania. Foi apurado que a dupla esteve hospedada em um hotel próximo do local do crime e que eles compraram uma faca que poderia ser a do crime em uma loja da cidade de Dallas Township. O álibi de Cuadra é que naquela noite ele estava com um cliente, versão sustentada por ele e pela agência de michetagem eletrônica da qual ele é um dos proprietários, chamada Norfolk Gay Escorts & Norfolk Companions Inc. Cuadra não é um réu confesso, ele alega que alguém estaria fazendo ele se passar pelo assassino de Kocis. Contra ele restam ainda outras acusações: roubo, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, incêndio criminoso e falsidade ideológica. A prisão de Cuadra e Kerekes não elimina as suspeitas do envolvimento de outras pessoas, como Lockhart e Grant Roy.


As investigações policiais já estavam em andamento quando os mesmos quatro comensais do restaurante Le Cirque, de Las Vegas, reuniram-se em 28 de abril na praia de nudismo de Black's Beach em San Diego, Califórnia. Segundo declarou Grant Roy, na ocasião Cuadra e Kerekes declararam que estiveram na casa da vítima na noite do crime, mas ter ido lá não quer dizer que eles o mataram. Tal encontro foi filmado pelos investigadores da polícia, este filme é uma das provas principais da acusação contra os dois que já estão presos, quiçá contra todos os quatro. Sobretudo é uma prova com valor e significado inusitados: a polícia passou, ela também, a fazer filmes com conteúdo se não erótico talvez pornográfico mesmo, com quatro astros do pornô gay pelados numa praia da Califórnia. Fora a curiosidade de ver esse filme ficam várias perguntas sobre esta peça heterodoxa homoerótica de investigação policial: quais as circunstâncias, o equipamento, o procedimento, os trajes dos policiais durante a gravação?


Fazer filme voltou a ser simples como no começo do cinema, os policiais fizeram um, Kocis fazia-os no porão de sua casa. A produtora Boy Batter é uma novata no ramo que promete os estudantes e o militares mais tesudos do planeta fazendo muito sexo bareback, no estilo que tem semelhanças com o da Cobra. Estilo, quando não se copia, pode ser comprado, e as produtoras fazem qualquer negócio em seus sites. A Boy Batter abriu um link para uma campanha de arrecadação de donativos para a defesa de Cuadra (não há menção a Kerekes); estão a venda artigos a partir de U$ 1,25 (button). Há também uma gravação de áudio de Cuadra pedindo doações e vendendo T-Shirts com a mensagem “Free Harlow”. Há também uma comunidade no MySpace com o mesmo propósito. Alguém que assina ora como hrc2 outras vezes como Harlow Cuadra e Angel of Truth mantém um blog chamado Harlow Cuadra online onde há sua suposta autodefesa. Parece filantropia, mas essa acessibilidade Cuadra é uma das coisas mais esquisitas que já se viu e há dúvidas a respeito de sua legalidade e autenticidade. Como pode alguém de dentro da prisão realizar esse tipo de ação (a menos que seja no Brasil, de onde criminosos comandam através de celulares seus negócios)? Nos Estados Unidos existe assistência advocatícia que garante a defesa do mais reles acusado, embora se diga que dinheiro nunca é demais, a campanha não tem fundamento. Mas se foi por dinheiro que se cometeu o assassinato, o ato precisa ser lucrativo, seja como for. Com o tamanho da população carcerária americana, se a moda pega, sites de ajuda a prisioneiros se tornarão freqüentes como os de sexo.


Cuadra poderia ter sido a estrela do ano. Na prisão há quem queira ser seu carcereiro sexomaníaco. Seria uma atenuante se ele confessasse o crime revelando que o motivo da disputa foi passional? Perdido de amor por Lockhart teria feito tudo não por cobiça, mas para livrá-lo da submissão à Kocis? Bonito, gostoso, jovem, ambicioso, com um pau entre médio e grande (nove polegadas), pertenceu à marinha americana, era michê, ator versátil, diretor, empresário e aficionado por carros esportivos. Terminar na cadeia não estava em seus planos. Enquanto aguarda julgamento seus filmes faturam, ele aparece em algumas seqüências disponíveis na internet que reunidas dão um DVD. A melhor é a que ele faz um troca-troca com um franguinho que catou na praia. Em uma delas Cuadra se exercita na academia e acaba batendo umazinha, é um solo acadêmico. Outra é uma suruba de três que inicia no banheiro e termina na cama com Cuadra levando uma leitada na boca de um magrelo louro com o cabelo à escovinha. São seqüências que mesmo que comecem com externas sempre levam para um cafofo, local que onde fazem filmes domésticos e vendem na internet como quem faz american pie e vende na quermesse. Os filmes funcionam como publicidade de atores que micheteiam entre uma produção e outra, o site recebe uma percentagem sempre que o ator faz um programa, é rufianismo online.


Tem atores com estilo fogo no rabo, outros são cândidos e o rabo têm a luz fria dos vaga-lumes. Este é o estilo cool burning de alguns deles e de Cuadra, cujos filmes combinam com o jazz de Chet Baker, inclusive porque há semelhança física entre os dois. Sua performance tem uma virtuose moleque, um jeito casual, suave de dar e comer bunda. Quem vê seu desempenho nos vídeos tenderá a julgá-lo inocente e não assassino, violento e piromaníaco. Paixão por assassinos é coisa de Jean Genet. Se a defesa exibir seus filmes para o júri ele será absolvido.


A Pennsylvania é um dos 38 estados norte-americanos que aplicam a pena de morte. Pelo cenário que se desenha na pacata Dallas Township, condado de Luzerne, uma cidade com menos de dez mil habitantes, o julgamento dos acusados poderá se tornar um espetáculo dentre os já espetaculares julgamentos norte-americanos. Especula-se que exista uma lista de clientes de Cuadra com pessoas importantes da política, dos negócios, do showbussines e até da Igreja Católica na iminência de serem chamados a testemunhar. A ocasião poderá revelar os maiores opróbrios que algum tribunal já ouviu. Todos vão ficar tesos tanto pelo conteúdo sexual quanto pela vilania da competição por um naco de mercado, combustível que moveu os principais atores desse caso. Numa sociedade como a americana e até mesmo na periferia do capitalismo, como o Brasil, essa vilania atinge desde as megacorporações até os filmes pornô. Oxalá essa sanha assassina nunca chegue nos vendedores de côco da praia do Pina.

3 comentários:

  1. André Luís5:14 PM

    Caramba essa investigação está digna de novela mexicana ( ou brasileira que seja), além de toda essa confusão de acusações, tiram essas delicias do mundo gay e jogam para a sorte dos presos e deixam a gente aqui babando imaginando todas as coisas que podem estar acontecendo entre as quatro paredes daquela prisão americana... e como será que os policiais deviam ta disfarçados, e disfarçando, para conseguirem fotografar e gravar as conversas deles em uma praia nudista? Será que estavam figindo que eram casais (gays ou heteros, não sei se tinha mulheres entre eles) namorando e batendo fotos da "paisagem natural" lol, ótima reportagem Boris, beijão

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  2. Anônimo1:42 AM

    ahhh sei la sabe, mais tipo acho q foi o brent!!! ele eh gostosinho e pa mais tem uma cara de pilantra...
    tipo putinha fria e calculista...
    auhsuahsusa

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  3. Ola!
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