sábado, 2 de fevereiro de 2008

Carnaval na tela

Carnaval na tela
Filmes no clima

O carnaval é festa da carne. Na rua, em casa ou na telinha haverá sexo em abundância, sabendo usar não vai faltar para o resto do ano. Ver um filme pornô gay nesse feriado é uma boa opção dentre tantas possíveis, como praticar sexo. O blog do Boris Transar comentou alguns filmes e os sugere aos pornófilos, assim eles mantém a diversão em todos os momentos sem sair do clima carnal. Para assistir sozinho ou acompanhado, são filmes antigos e novos que podem ser facilmente encontrados nos compartilhadores de Torrents.
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Dangerous Liaisons (Lucas Entertainment, 2005) – Um filme de Michael Lucas, o mais chic e diretor dos filmes pornôs gays em atividade. Também é ele quem melhor cuida dos aspectos técnicos dos filmes de sua produtora, a Lucas Entertainment. Produção, cenários, figurinos, roteiro, trilha sonora e montagem são superiores ao que se vê normalmente. Dangerous Liaisons é baseado no clássico da literatura francesa Les Liaisons Dangereuses, escrito por Pierre Choderlos de Laclos e publicado em 1782. Lucas também atua e o personagem que seria da Marquesa de Merteuil ele reservou para si mesmo, claro, como Marcus Von Halpern. Ele pede ajuda a Gus Mattox, que interpreta o personagem de Valentine Moore, um Visconde de Valmont que é fotógrafo de moda, para vingar-se de um antigo amante. As semelhanças com a obra original param por aí. O filme é inteiramente ambientado em Nova York atual, as relações perigosas é o trepa-trepa entre todos, comum em qualquer sociedade. O filme conta com aparições de celebridades locais e algumas conhecidas também no Brasil, como RuPaul, Boy George e Lady Bunny. Foi ganhador do prêmio de Melhor Filme do GayVN 2005 e seu sucesso foi determinante para o diretor lançar, depois, La Dolce Vita (2006), baseado no filme homônimo de Federico Fellini, de 1960. (165 minutos).

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Machofucker (M.F. Entertainment) – Não há nada mais antagônico ao estilo dos filmes de Michael Lucas do que os filmes dessa produtora. Sexo interracial, amador, bareback, extreme hardcore e, às vezes, escatológico. São episódios curtos, feitos pra internet, e as transas são entre ativos muito dotados e passivos gulosos. Não há preliminares, o sexo rola a partir do primeiro instante até o ativo gozar. As cenas são de submissão total, com alguma brutalidade e nenhum romance, os atos podem ser classificados com estupro consentido. Revejam todos os episódios antigos dessa produtora e vejam alguns episódios lançados recentemente gravados no Brasil: The Ruff-Rider, Machos da Favela I, Machos da Favela II, Ass-Slammer e Rio Cum Sluts, este último episódio mostrando uma trepada que finaliza com uma gozada interna e uma golfada anal imperdíveis! São filmes pornôs transnacionais exemplares. É interessante verificar como os atores brasileiros se saem bem nos filmes de produtoras estrangeiras, parece que o bom desempenho deles se explica por eles serem melhores pagos nessas produtoras ou porque eles têm a esperança de, com um filme desses, fazer carreira internacional, como aconteceu com Rafael Alencar, a dupla Daniel Marvin e Pedro Andréas, Vladmir Correa e Lucas Foz.

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Fuckclub Gangbang (OTB Video, 2007) – Todos os filmes dessa produtora holandesa mostram chicos transando sem camisinha. São realizados no México e na Colômbia e constituem mais um exemplo de pornô transnacional. Os atores destes filmes são uns porquinhos bebedores de esperma pelo cu e pela boca. Católicos, pode se supor que eles não usam camisinha por recomendação papal, que Nossa Senhora de Guadalupe os protege. Mas devem receber uns trocados a mais pelos riscos assumidos. O bareback nesses filmes foge inteiramente à linha soturna, pioneira do estilo, caracterizada pelos filmes de Paul Morris, na Treasure Island Media ou Ben Baird, na SX Vídeo. Há uma alegria irresponsável, inconseqüente, lembram mais filmes pré-condom. Para quem gosta do visual adolescente latino é imperdível vê-los tão frescos e pegando fogo em produções tão modestas. Dirigido por Alex Chaves, Fuckclub Gangbang é da série “Bareback Friends” e é tido como recordista em número de ejaculações, 52 no total! Supera os impressionantes números de filmes como Dawsons 50 Load Weekend (Treasure Island Media, 2006). A série “Bareback Friends” reúne os mesmos atores em filmes sempre dentro do mesmo apartamento mixuruca onde os amigos se reúnem para transar, fazendo surubas com vários magrelos versáteis. Em Fuckclub Gangbang cada um confessa seu maior desejo, sorteiam a ordem, e depois põe em prática. São sete participantes e sete desejos. O de Xavier é que cada um goze dentro do seu rabo, e por aí vai. O maior mercado para esses filmes está na Europa, onde a OTB Video conquistou o Prêmio “David” 2007 na categoria Best Latin Movie e o 1st European Gay Porn Awards 2007 na categoria Best Black / Latino Film. (120 minutos).

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Hot Men Cool Boyz (Hotmale Productions, 2000) – Um pornô gay que ficou conhecido por excesso de pretensão, pela tentativa de inovar o gênero, pelo visual kitsch e por ter sido produzido, não creditado, por Lars Von Trier. Figura bem conhecida no meio cinematográfico convencional, Trier recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 2000, pelo filme Dancer in the Dark (Dançando no Escuro), antes disso havia lançado o movimento intitulado Dogma cujo manifesto continha regras que orientaram sua produção cinematográfica. Essas regras produziram obras tão díspares quanto O Grande Chefe (2006), Dogville (2003) e Hot Men Cool Boyz. Produção dinamarquesa, dirigido por Knud Vesterskov, começa com uma fulana como anfitriã, que declara ser este filme “um conto de fadas íntimo”, ela faz um desnecessário discurso nos estúdios da Hotmale Productions para justificar o conteúdo que vai ser apresentado, é didática e informática como um ábaco. Tem uma direção de arte neobarroca que lembra as fotografias da dupla Pierre et Gilles, Pernille Schellerup usou cenários virtuais fundidos com cenários reais de plástico onde faunos nórdicos, mercadores, sádicos, romanos, fodem num clima onírico, onde muita importância é dada a figurinos e objetos de cena. Vicejam folhagens como num tapete oriental. Ron Athey (também trabalha em Hustler White) faz um narrador que liga os seis episódios, primeiro como um hipnotizador, depois um punheteiro “romântico desvairado”, em seguida um apresentador de circo de sexo, um sado-masoquista, um aquabofe e, por fim, de apresentador de telejornal; bonito, tatuado, bem dotado, ele não trepa com ninguém. O elenco é semi-amador, com exceção do veterano Billy Herrington, que usa um maiô numa cena masô. O filme não provoca ereção, é alegórico, causa estranhamento, é excessivo. Na tentativa de inovar fizeram um filme cujo descompasso entre figura e fundo são gritantes, a ação é realista e o cenário é irreal. É sabido que Trier fez outros filmes pornôs hetero, mas não há notícia de que a Hotmale Productions tenha feito outro filme gay depois desse. Em muitos aspectos Hot Men Cool Boyz é exemplar de tudo que um filme pornô gay não pode ser. Em outros ele é inteiramente convencional. (95 minutos).

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Raw Rivals (Eurocreme, 2007) – A Eurocreme é uma companhia que realiza várias séries de filmes pornô gays na Europa, possui alguma semelhança de estilo com a OTB Vídeo, exceto no orçamento das produções, na finalização e no uso de modelos latinos. As séries bareback ("Raw", "Bare", "Twinkz", "Punkz", "SauVage"), são estreladas por atores do Leste Europeu e são produzidas pela AVI Production, da República Tcheca, controlada por Vlado Iresch, o profícuo diretor desse e de muitos outros filmes igualmente recomendados. A qualidade dos filmes da Eurocreme alcançou padrões excelentes, superando outras produtoras, como a BelAmi. A edição feita por Tom Barnz e pelo próprio Iresch funde, com agilidade, a fotografia de Joseph Rychtecky e a música de Felix Tau, produzindo clips de abertura que fazem um contraponto ao adágio das cenas de sexo. O elenco reúne mancebos jovens, muito bonitos e tesudos que trepam com furor. Por essas qualidades a Eurocreme recebeu o prêmio de Best European Studio e Iresch o “La Branlette d´Or” (A Punheta de Ouro) no 1st European Gay Porn Awards. O enredo de Raw Rivals está baseado na disputa entre dois lutadores, Lucky Taylor e Tom Tay, o primeiro é um ocidental, o segundo é um oriental. Eles possuem, cada um, seus próprios acólitos com quem fodem para desopilar. Tay é uma das melhores revelações do pornô gay em 2007, exibe todas as delícias que comporta um modelo compacto oriental. Lucky Taylor tem uma das picas mais anatômicas para quem quer conforto e muitos dias depois ainda sentir a dor da saudade. No elenco Filip Dean, cabeludo, gostoso, passivo até doer. Outro novato é Cliff Harper, com cara de bezerro mamão, é um daqueles que deve ter aumentado a idade para poder fazer filme pornô gay, ele é severamente gangbangeado por cinco caras no ringue de boxe tailandês por não ter sido um bom aluno na escolinha – fofo demais. A disputa entre Lucky Taylor e Tom Tay é no ringue, sem sexo, Tay leva muita porrada e Taylor ganha uma bundinha de prêmio. (115 minutos).

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That Man Peter Berlin (Gorilla Factory Productions, 2005) – Documentário dirigido por Jim Tushinski, sobre um dos maiores ícones do mundo gay, Peter Berlin, cujo nome verdadeiro é Armin Hagen Freiherr von Hoyningen-Huene, nascido em 1942. A partir de depoimentos de testemunhas e de um rico acervo documental sobre o filmografado, se toma conhecimento da vida deste homem, hoje sexagenário, que nos anos 70 abalou o mundo gay com um visual provocante tornado emblemático pelas lentes de Robert Mapplethorpe e pelo traço de Tom of Finland. O que antes se sabia a respeito de Peter Berlin nunca ia além de sua representação imagética, dissociado de dimensão humana, sabia-se dele tanto quanto se sabe sobre a Mulher-Gato. Peter Berlin foi o que são os homens que trabalham em filmes pornôs gays: personagem e representação em fluxo piroclástico, eles são o que representam. Artista, fotógrafo, cineasta, modelo, foi o objeto de desejo e inspiração de toda uma geração que, no inicio dos anos 80, se viu abalada pela AIDS e pela desesperança do sonho acabado. No cinema fez Nights in Black Leather, dirigido por Ignatio Rotkowski (1973), e atuou e dirigiu That Boy (1974), numa época em que o mundo estava testemunhando o desabrochar dos filmes pornô gays. Peter Berlin, junto com outros pioneiros nos Estados Unidos, introduziram o bê-a-bá do gênero nas telas do cinema de uma forma que se sustenta até hoje com poucas modificações. Há muita melancolia nas memórias deste homem, um dos poucos sobreviventes de seu tempo. Peter Berlin não está imortalizado apenas pelas imagens de sua juventude, belo e sexy, mas também pelas de um homem maduro, solitário, revelado em um filme que adiciona a dimensão que faltava ao mito. (80 minutos).

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Hustler White (Hustler White Productions, 1996) – Bruce LaBruce e Rick Castro escreveram e dirigiram esse filme que conta a história do improvável romance entre Jurgen Anger (Bruce LaBruce) e Montgomery Ward (Tony Ward). Anger é um alemão que viaja aos Estados Unidos para fazer uma pesquisa e escrever um livro sobre prostituição masculina. Ward é um michê americano, que faz ponto em Santa Monica Boulevard, Hollywood, e é fluffer em filmes pornôs gays. Os diretores povoam o filme de referências cinematográficas, desde a primeira cena do cadáver-narrador boiando no jacuzzi, passando por várias outras referências a Keneth Anger, Peter Berlin, Wakefield Poole, David Cronemberg e Pasolini, com sutilezas, ironias e humor. Este filme acaba por ser uma excelente introdução à obra de LaBruce, outra maneira de conhece-lo é a leitura do seu livro de memórias intitulado The Reluctant Pornographer. LaBruce é um diretor de Toronto, Canadá, com vários filmes lançados desde a estréia punk, anárquica, hardcore e inquietante do primeiro longametragem de sua autoria No Skin Off My Ass (1991). LaBruce têm mantido essa unidade autoral nos demais filmes que dirigiu, o que torna sua obra extremamente autoral, algo possível de realizar apenas em produções independentes. Hustler White contém cenas de sexo sem, no entanto, ser um filme de sexo explícito convencional, muitos críticos deram-lhe o famigerado rótulo de "filme de arte" na falta de um rótulo mais apropriado. Propositadamente LaBruce filma cenas de bizzarias extremas que fazem revirar estômagos mais sensíveis. Ron Athey (também trabalha em Hot Men Cool Boyz) faz o papel de um assassino que pega michê no cemitério. Tendo nascido num país que faz o incômodo papel de mais próximo satélite americano, LaBruce assume uma atitude radicalmente virulenta e ostensiva nos seus filmes, exibindo as taras dos puritanos norteamericanos como provocação claramente política e com a finalidade de criticar a hipocrisia na qual se assenta a sociedade e os filmes hollywoodianos. (80 minutos).

3 comentários:

  1. André Luís5:58 PM

    Boris com esses filmes que vc recomendou vai ser difícil sair de casa pra curtir o carnaval, a não ser que seguremos a vontade até trazer alguém pra casa e apimentar a festa vendo os filmes e se der imitando algumas performances.

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  2. Anônimo6:58 PM

    O Boris "abriu as portas" dos torrents pra mim!!!!!
    Meu acervo agora vai bombar rsrsrsr!
    Valeu pelas explicações e pelas dicas amigo. Foram muito úteis!!!!!!!!! E a qualidade do Blog, nem se fala. É excelente!!!
    As sugestões do carnaval foram ótimas. O meu preferido foi o Raw Rivals. A Eurocreme arrebenta mesmo!!!

    Abraços

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  3. Parabéns pelo blog Bóris. Excelente em todos os sentidos.
    Fico grato por sua menção espontânea à (loja) Mister DVD Vìdeo. Se precisar (ou desejar) de nós para lguma coisa fique à vontade.
    Um abraço enorme e muito sucesso.
    Mister Man
    P.S. Referi seu blog no meu. Tenho certeza que os leitores do Mister Man Club adorarão conhecer este espaço.

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