sexta-feira, 18 de abril de 2008

O estado da arte em safadeza

O estado da arte em safadeza

Seja uma estrela da pornosfera

A popularização das webcams e as conexões de banda larga tornaram o troca-troca de conteúdo audiovisual uma das tarefas mais interessantes no uso do computador como meio de comunicação, diversão e até trabalho. Muito rápido elas se tornaram aliadas do prazer sexual exibicionista-voyeurista dos usuários e também um bom negócio para quem explora sexo na Web 2.0. Desde que o computador tornou-se o videofone que os telefones nunca foram, as pessoas se viram estimuladas a usá-lo cada vez mais com essa finalidade tão puta. Quem freqüenta os sites de encontro da internet está disposto a uma relação real que enquanto não se realiza é mantida virtualmente. Surgiu, pois, uma nova modalidade de relação, a real transmitida em tempo real. Ela substitui com vantagem os filmes pornôs amadores, com os quais mantém inúmeras semelhanças.

O melhor exemplo desse troca-troca é videochat Cam4. Embora não seja inteiramente desconhecido, ainda é pouco freqüentado pelos usuários de internet brasileiros, talvez por causa da barreira idiomática. O site tem versão em inglês e espanhol, mas se os brasileiros invadirem ele da forma como fizeram com o Orkut, o Cam4 pode se tornar em pouco tempo uma febre nacional e ganhar versão tupiniquim.

Ele possui alguma semelhança com o videochat desenvolvido pela Userplane, contudo não permite visualizar mais de duas cams ao mesmo tempo, sendo uma do próprio usuário e outra do usuário escolhido para ser espiado. Com tamanho médio fixo (11,4 x 8,5 cm), o comando toggle full screen não cumpriu a função que esperei dele, colocar a imagem em tela cheia, mesmo assim a qualidade é quase sempre boa, fator que depende também da luz ambiente, do enquadramento, da resolução da câmera, da velocidade de conexão, isso sem considerar os dons de cada usuário. Saber levar um papo com a platéia do chat enquanto bate uma punheta ou transa não é fácil, mas com o tempo se aprende.

Na página inicial tem um índice com janelas de várias câmeras, cada uma possui imagem parada dos usuários cadastrados que logaram. Ao lado da imagem tem informações (apelido, sexo, orientação sexual, país) e o status (Live Cam ou Cam Offline). O default na página inicial apresenta todas as câmeras (All Cams), mas há a opção de ver apenas os homens (Male Cams), o que é aconselhável para gays e mulheres. Se o usuário tiver cam, conexão em banda larga e quiser se exibir deve se cadastrar criando sua própria conta à qual terá acesso com username e password. Depois de cadastrado o usuário pode editar o perfil acrescentando mais dados pessoais, fotos e responder a um questionário que nenhum adulto encontrará dificuldade. Na opção Click here to begin Broadcasting Live aparece uma janela de diálogo, clicando em Allow a câmera é ativada. Dentro da janela há o controle de áudio, o campo para digitar e inserir textos e o quadro de diálogo semelhante ao de qualquer chat. Nesse caso os participantes são os usuários que estão espiando sua imagem e você é o mediador do chat.

Quando o usuário começa a transmitir som e imagem seu quadro de chat está vazio e sua posição no índice dos usuários com a câmera aberta é entre os últimos. À medida que os outros usuários clicam na sua cam e começam a interagir no quadro de chat, interessados pelo que estão vendo, a posição da sua cam no índice vai subindo e logo você estará na página inicial, que é a elite da safadeza. Desse modo, a primeira cam do lado esquerdo da página número 1 é a que, naquele momento, está com maior audiência, seu objetivo é alcançá-la e superá-la, cativando o seu público e obtendo outras vantagens.

O funcionamento do site e outros comandos disponíveis o usuário aprenderá usando-os. Quem quiser apenas ver os outros não precisa criar uma conta, basta apenas escolher a cam que quer espiar, clicar nela e curtir. Não precisa baixar nenhum programa, mas precisa ter instalado o Adobe Flash Player. O Cam4 é gratuito e ainda promete dar dinheiro aos usuários campeões de audiência. Se alguém ganhar algum trocado lá, colabore, deixando aqui seu testemunho.

Algumas pessoas duvidam que sejam cenas ao vivo, pois há a possibilidade de inserir vídeos pré-gravados, mas basta prestar atenção para perceber a diferença. Vídeos pré-gravados têm edição de imagem, movimento de cam, legendas, entre outras coisas. Webcam é plano único e os movimentos são feitos pelo próprio usuário. A combinação de som, imagem e texto numa mesma tela é uma ferramenta poderosa para novas amizades e para atitudes mais ousadas, como masturbação, sexo a dois e suruba em rede, e os usuários do Cam4 fazem mais que isso. Tem aqueles que querem fazer contato e depois aprofundar os relacionamentos trocando e-mails e usar outros serviços de comunicação tipo MSN e Skype. Embora tenham algumas figuras que não fazem sexo nem tiram a roupa, como um fulano melancólico que faz cara de coitado e atende pelo apelido Perfect Lover, elas são minoria. A maioria vai às vias de fato, são essas estrelas da pornosfera que interessam. A seguir serão apresentadas algumas delas que podem ser encontradas em poucas horas de navegação no Cam4 transmitindo sexo de casa e do trabalho. São pessoas de corpo inteiro e desinibidas que querem sentir-se desejadas e encontram na exibição pública planetária uma compensação. O horário para encontrá-las é incerto, mas sempre haverá uma cam a seu gosto.

O grande ganhador do prêmio de melhor cam nos últimos três meses (janeiro-março) atende pelo nick de Palermobx. Com 32 anos, esse italiano de Palermo virou celebridade fudendo com os amigos na webcam. Versátil, se declara bisexual mas até o momento não presenciei nenhuma mulher biológica com ele. Seu tipo físico é atraente, depilado e careca, sarado, barebacker, já fez uma suruba com quatro participantes. Usa dois cenários, um com uma cama e outro com aparelhos de musculação. Multitarefas, ele demonstra habilidade que fez dele um campeão: chupa um pau, digita uma mensagem de olho no monitor, coloca papel na impressora, atende celular e faz munganga. Palermobx também pode ser visto formando dupla com outro usuário da mesma cidade chamado Anachim.

O nick Youngblkhung significa moço-negro-dotado, mas na imagem descobre-se que o sujeito é muito mais que o que diz o nick: ele é um contorcionista que parece egresso de algum desses circos internacionais que deram pra fazer turnê pelo Brasil recentemente. Exibe corpão, cuzão, chupa o próprio pau, masturba-se e goza feito um jumento. Usa drogas socialmente, dreadlocks no cabelo e senta numa poltrona coberta com tecido de patchwork, um cenário old fashioned como a orientação sexual desse negão, que é straight (hetero). Como o Cam4 não é exclusivamente gay, sempre haverá a possibilidade de encontrar um tipo contrariante e interessante, saiba lidar com a situação. Ao mesmo tempo se pode encontrar algum usuário que se declara hetero e está colocando um pepino no rabo ou transando com outro cara, como de um que usa o nick Pittbreddd.

Wayfarer é o caso típico daqueles que freqüentam o site sem o consentimento nem conhecimento dos pais. Ele tem pinta de ser menor de idade e declara já ter 18 anos, o que é um problema familiar mais freqüente do que se imagina, os hormônios começam a agir bem antes do homem chegar à idade de tirar a carteira de motorista. Espiar não é delito, sobretudo quando ele faz uma carinha de quem tá gostando demais. É chileno e lamento que esteja do lado de lá do Aconcágua.

Nitros tem, talvez, o maior pau que pode ser visto no Cam4. Como todos os extra grandes também o dele parece meio flácido. Aos 30 anos é sarado e também se declara straight (hetero). Vale a pena esperar ele se masturbar até gozar, o que pode levar horas, o jato é semelhante ao espocar de garrafas de champanhe nas comemorações de Fórmula 1.

Tommy, ou Tom, é bonito, carismático e mostra tudo. Delicado, faz caras e bocas, tem um pau médio e uma bunda linda. Inglês de Leeds, declara-se bisexual e toma drogas ocasionalmente.

Sexomaniac é turco, não mostra o rosto mas mostra o pau que é tão grande que dá trabalho enquadrar e é tão firme como as torres da Hagia Sophia. Jovem, safado e straight (hetero), mas como isso não pega, não há perigo em ficar de olho nessa jóia do oriente.

Zoltan é militar e não revela a nacionalidade por questões de segurança. Tem 22 anos, branco, cabelo à escovinha, parece saído de um filme pornô gay europeu. Mostra tudo, o cuzinho rosado, inclusive. Declara-se hetero, mas com a arma que tem poderia estar melhor empregado.

Como o Cam4 tem versão em espanhol, é fácil encontrar hermanos mostrando pijas y culos calientes. Striperwebcam é venezuelano de Caracas e tem um caralho ao gosto da Revolução Bolivariana, curvado para a esquerda e cabeçudo. 24 anos, sarado, é estudante e stripper. Representa com perfeição no aspecto físico e no cenário doméstico o tipo predominante no subcontinente. Convida as chicas para o MSN onde promete mostrar mais, desnecessário.

Need2bused adora exibir o cuzão super dilatado com capacidade para receber uma lata de cerveja de meio litro e outros objetos furicofurantes. Declara-se bi-curious e usa as roupas da mãe nas apresentações online.

Encontrei apenas um brasileiro exibindo-se, Leozinho, uma delícia de gaúcho de Porto Alegre. Declara ter 19 anos, descobri que tem menos. Ainda é hetero, mostrou tudo, menos a bunda. Bateu uma punheta, gozou e a temperatura subiu no outono pampeiro.

Finda esta exposição conclui-se que talvez não esteja longe o dia em que o sexo online seja predominate e o quanto a internet deixou de ser o local onde se tem apenas acesso às informações. O usuário agora é, ele mesmo, responsável por grande parte do conteúdo. Sendo o sexo e os assuntos correlatos parte considerável da vida dos homens, ele ocupa parte igual na internet. Lamenta-se apenas que o conteúdo gerado pelos usuários do Cam4 seja tão efêmero. Essas imagens merecem ser guardadas numa grande filmoteca para as gerações futuras testemunharem o estado da arte em safadeza alcançada nos anos correntes.

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domingo, 6 de abril de 2008

Fundos brasileiros

Fundos brasileiros

O grau de investimento

Quem está familiarizado com o grito de guerra “quem quer dinheiro?” nas tardes de domingo já viu o que acontece quando se oferece uns trocados para uma turba sem tostão: submissão documentada em vídeo. Alguém se submeter aos caprichos de outro recebendo em troca o que não fará falta ao submetedor é uma espécie de tara mordaz que acomete ambas as partes. Assistir essas cenas é, igualmente, uma tara, do tipo voyeurista. Não é certo que Silvio Santos tenha alguma ereção com “colegas de trabalho” se rasgando por caraminguás, mas não surpreenderia se tivesse. O dinheiro é uma grande invenção e, por isso mesmo, todos o desejam, ou desejam o que se pode fazer com ele: obter o prazer que não se obtém por outras vias.

Ass Destroyers (Nacho Vidal Productions, 2007) é um filme pornô gay que Nacho Vidal (Barcelona, 1973), o maior ator pornô espanhol, também diretor e produtor, fez no Brasil no ano passado. Não é nem um filme médio, é ruim mesmo, entretanto não se pode ignorá-lo. Nacho protagoniza um Silvio Santos de Topa Tudo por Dinheiro com menos cerimônia. O filme mostra a ação de oferecer dinheiro para submeter sexualmente uma dezena de rapazes brasileiros. Sabemos que isso não é fantasia, é prostituição filmada, que existe em qualquer lugar do mundo. Só que, no Brasil, em relação à Europa e aos Estados Unidos, homem é mais barato e há uma quantidade tão grande e com essa disposição que não se vislumbra que venha a acontecer um desabastecimento de filmes pornôs no mundo por falta deles.

Regozijai! No Brasil também existem as maiores reservas de homem do planeta! Desde o pioneiro Kristen Bjorn, no final dos anos 80, são várias as produtoras estrangeiras explorando esse rico manacial (Evil Angel & Nacho Vidal Productions, MachoFucker, French Connection, AMG Brasil, Clair Production, Alexandre Pictures, Marcostudio, All Worlds Vídeo, Oh Man! Studios, Puppy Productions, Foerster Media – falta algum?). Faria bem para as nossas relações internacionais que o Itamaraty realizasse um festival de filmes pornôs transnacionais com a produção desses viajantes que chegam para o Brasil com vistos de turistas e objetivos profissionais. Iria ampliar a noção de reciprocidade.

Nacho começou a carreira nos filmes no final dos anos 90. Dizem que fez cerca de 1500 filmes e transou com um número ainda mais assustador de mulheres. É mais conhecido pela carreira no pornô hetero e menos pelos filmes ou pelo público gay. Começou no pornobiz depois que a família abastada faliu e ele precisou sustentar os velhos. Fez shows de sexo ao vivo com a namorada para que ela largasse a prostituição. Ela não largou a vida boa e ele despontou para a fama contribuindo, como poucos economistas neoliberais, para o PIB espanhol crescer tanto. Nacho entrou no negócio porque seu pau tem o vigor da Espanha pós-franquista. Muitos fãs de Nacho são gays que o conheceram nos filmes pornôs heteros, desejosos de estar no lugar das moçoilas que nos filmes são esfoladas pela pica monstruosa e os modos agressivos do ator.

Desde a ocasião que ele declarou que se excita quando é acariciado no cu, começaram a desconfiar que o homem é fruta. Nacho nega, diz que não é gay, mas sua produtora, a Evil Angel, resolveu investir nesse rico filão, Face Fuckers (com Nacho na capa) é o que eles consideram como sendo o primeiro pornô gay da produtora. Filmado no Brasil em 2005, não tem cenas de penetração, apenas sexo oral e masturbação com submissão e alguma violência. Neste filme Nacho não come nenhum dos rapazes e transa com Judy Mastronelli.

Nacho deu uma folga paras moçoilas e resolveu fazer filmes pornôs sem mulheres biológicas, com gays, travestis e transexuais como Ass Destroyers, She Plays With Her Cock, Mission: Transsexual, Trans XXL e as séries House of She-Males e She Said Blow Me. Com tantos títulos conclui-se que os fundos brasileiros devem representar uma grande fatia do faturamento da Evil Angel.

Em Ass Destryers a submissão não é apenas física (negros ativos x brancos passivos), ela também é econômica (rico x pobre). Seus instrumentos são o exercício da força e a recompensa monetária, tudo muito mal interpretado. Ass Destroyers repete a receita tão freqüente dos filmes de Nacho que é espancar e fuder com violência o cu de um fulano ou de uma fulana e depois desprezar o que foi objeto de prazer. Mas é possível ter pena de quem se lanha em cima de um pau? O que se pode ter é um sentimento que oscila entre de inveja ou repulsa. Nem dá pena a precariedade de uma produção como essas, porque a relação custo-benefício nos filmes pornôs está entre as mais vantajosas.

Do lado de lá e de cá do oceano, o estereótipo do homem latino não dá espaço para fraqueza. Macho agüenta tudo! Um tapinha, uma metida no cuzinho, pegar o touro a unha... nada disso dói. Até aí não há nada de revelador em Ass Destryers, a não ser o modo como Nacho atua, como figurante principal, oferecendo dinheiro a mancheia para que os caras se submetam ao suplício de terem os cus arrombados diante das câmeras. Os ativos desse filme fazem o papel que Nacho reserva para si nos filmes hetero. Nenhum com o mesmo desempenho. Já os passivos fazem o papel que as moçoilas fazem com menos sacrifício.

A primeira seqüência acontece em uma suíte temática de um motel kitsch. No terraço com piscina, Andrei, ridiculamente amarrado, faz o papel de condenado esperando a hora da execução, um São Sebastião de araque. Antonio e Poax são os seus algozes, prometem meter dois paus no cu dele, mas não cumprem, só Antonio mete. Poax é um mulato bonito, forte, uma marca de facada no abdome não macula seu aspecto olímpico. Passivo, tem dificuldade de ereção e como cu não broxa, usa-o como poucos. Antonio faz o papel de ativo e mete pica em Andrei e Poax. Andrei é figura conhecida do pornô gay tupiniquim e internacional, ele aparece como Andrey Dimas em Primal Urge (AMG Brasil), tem um cu com pingüelo, um design anatômico que em muitos lugares chamam de cuceta. Seu pau é acima da média e no melhor da transa surpreende metendo no cu de Poax. A apoteose desse tricotê é Poax sentando no pau de Andrei e de Antonio alternadamente. O roteirista foi incapaz de sugerir uma dupla penetração em Poax, que seria é um castigo merecido pela promessa descumprida.

Na seqüência dois, Juan Pablo está na rua esperando o ônibus com cara de colegial que quer levar pau. Nacho Vidal está guiando um carrão e no banco do carona seu interlocutor ouve a proposta de receber cem dólares se comer um cu de outro homem, contanto que deixe Nacho assistir a cena. Nacho argumenta que nunca viu tal coisa, quer ver e ainda diz o que deve ser feito: depilar e socar um caralho de plástico no cu do escolhido. Feito o trato, encontram Juan Pablo à beira da calçada. Oferecem uma carona, ele aceita e começa a barbárie num apartamento vagabundo, daqueles que existem no centro de São Paulo. O rapaz é sodomizado por Renzo, um negão que usa objetos furicofurantes. Encenam uma violência mambembe mas não inteiramente desinteressante porque Juan Pablo dá com tesão e sempre conforta um coração verde-amarelo ouvir um mulato falando português num filme estrangeiro. Dá a ilusão de que, enfim, se reconhece o Brasil como potência galática, que o país já alcançou o grau de investimento que tanto interessa.

A seqüência três é a melhor do filme, Nacho relata para o delícia do Júnior Carioca o que aconteceu na seqüência anterior, quando deu cem dólares para ver um amigo fuder o cu de outro. Encontram um michê (Santiago Perez a.k.a. Ygor Peixoto) trabalhando na rua cobrando duzentos reais para dar a bunda. Uma pechincha! É contratado na hora e levado para a mesma locação da primeira seqüência. Perez é um branco bonito, sarado, tatuado, com lábios carnudos, bunda grande, dura, com um cu elástico, é o único de quem se pode ter uma dó sincera: seu olhar transmite a aflição exata que o personagem exige quando Júnior Carioca enfia o pé cheio de pereba na sua boca. Perez vale mais do que o que cobra, é o único no elenco que tem talento para uma carreira cinematográfica auspiciosa. Júnior Carioca é um negro forte e rude, tem um pau acima da média, mas não impossível. Sua gozada abundante faz um belo contraste com sua pele escura.

A seqüência quatro tem outro negão delícia (Gabriel) comendo um branco (Félix Stulbach). Eles se encontram no topo de um edifício de onde se vê a feiúra incomparável da cidade de São Paulo. Do telhado a ação desce a uma trivial sacanagem no mesmo apartamento da seqüência dois. Nada de notável, Stulbach já fez melhor noutros filmes.

Na seqüência seguinte voltamos ao terraço com piscina do motel kitsch. Andrei, dessa vez está na água cantando como uma sereia do Cabo das Tormentas. Nacho está contando dinheiro e pede a André Garcia, um crioulo folgazão, que faça qualquer coisa para Andrei se calar. Nesse caso resta pouco a ser feito além de meter uma pica na boca dele, depois na cuceta para finalizar essa foda aguada.

Durante o filme inteiro o próprio Nacho dá instruções, em português castiço, para os atores. Parece que por descuido do editor de som essas instruções são ouvidas. Já o editor de imagem cortou bem menos que o necessário e o filme ficou demasiadamente longo (2 h, 57 min.), ficar tanto tempo sentado vendo esse filme destrói também o cu do espectador. Deixou-se de suprimir os trechos gravados em que os atores interrompem a ação para ouvir as instruções do diretor. O resultado é tosco. O filme é tecnicamente fraco, são inúmeras as cenas que a lente da câmera fica melada, os atores foram recrutados no circuito da michetagem de São Paulo (produtoras de vídeos, boates, saunas e na rua). Tudo beira o amadorismo. Mas nenhum dos aspectos negativos do filme está presente por descuido ou por acidente.

A precariedade já havia se tornado estilo antes mesmo de Glauber Rocha fazer suas merdas, os gêneros pornográficos apenas adotaram-no, usando cus que não cagam. Os filmes gays de Nacho não decepcionam pela precariedade, mas porque falta neles ver o próprio espanhol boiolando.



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