domingo, 6 de abril de 2008

Fundos brasileiros

Fundos brasileiros

O grau de investimento

Quem está familiarizado com o grito de guerra “quem quer dinheiro?” nas tardes de domingo já viu o que acontece quando se oferece uns trocados para uma turba sem tostão: submissão documentada em vídeo. Alguém se submeter aos caprichos de outro recebendo em troca o que não fará falta ao submetedor é uma espécie de tara mordaz que acomete ambas as partes. Assistir essas cenas é, igualmente, uma tara, do tipo voyeurista. Não é certo que Silvio Santos tenha alguma ereção com “colegas de trabalho” se rasgando por caraminguás, mas não surpreenderia se tivesse. O dinheiro é uma grande invenção e, por isso mesmo, todos o desejam, ou desejam o que se pode fazer com ele: obter o prazer que não se obtém por outras vias.

Ass Destroyers (Nacho Vidal Productions, 2007) é um filme pornô gay que Nacho Vidal (Barcelona, 1973), o maior ator pornô espanhol, também diretor e produtor, fez no Brasil no ano passado. Não é nem um filme médio, é ruim mesmo, entretanto não se pode ignorá-lo. Nacho protagoniza um Silvio Santos de Topa Tudo por Dinheiro com menos cerimônia. O filme mostra a ação de oferecer dinheiro para submeter sexualmente uma dezena de rapazes brasileiros. Sabemos que isso não é fantasia, é prostituição filmada, que existe em qualquer lugar do mundo. Só que, no Brasil, em relação à Europa e aos Estados Unidos, homem é mais barato e há uma quantidade tão grande e com essa disposição que não se vislumbra que venha a acontecer um desabastecimento de filmes pornôs no mundo por falta deles.

Regozijai! No Brasil também existem as maiores reservas de homem do planeta! Desde o pioneiro Kristen Bjorn, no final dos anos 80, são várias as produtoras estrangeiras explorando esse rico manacial (Evil Angel & Nacho Vidal Productions, MachoFucker, French Connection, AMG Brasil, Clair Production, Alexandre Pictures, Marcostudio, All Worlds Vídeo, Oh Man! Studios, Puppy Productions, Foerster Media – falta algum?). Faria bem para as nossas relações internacionais que o Itamaraty realizasse um festival de filmes pornôs transnacionais com a produção desses viajantes que chegam para o Brasil com vistos de turistas e objetivos profissionais. Iria ampliar a noção de reciprocidade.

Nacho começou a carreira nos filmes no final dos anos 90. Dizem que fez cerca de 1500 filmes e transou com um número ainda mais assustador de mulheres. É mais conhecido pela carreira no pornô hetero e menos pelos filmes ou pelo público gay. Começou no pornobiz depois que a família abastada faliu e ele precisou sustentar os velhos. Fez shows de sexo ao vivo com a namorada para que ela largasse a prostituição. Ela não largou a vida boa e ele despontou para a fama contribuindo, como poucos economistas neoliberais, para o PIB espanhol crescer tanto. Nacho entrou no negócio porque seu pau tem o vigor da Espanha pós-franquista. Muitos fãs de Nacho são gays que o conheceram nos filmes pornôs heteros, desejosos de estar no lugar das moçoilas que nos filmes são esfoladas pela pica monstruosa e os modos agressivos do ator.

Desde a ocasião que ele declarou que se excita quando é acariciado no cu, começaram a desconfiar que o homem é fruta. Nacho nega, diz que não é gay, mas sua produtora, a Evil Angel, resolveu investir nesse rico filão, Face Fuckers (com Nacho na capa) é o que eles consideram como sendo o primeiro pornô gay da produtora. Filmado no Brasil em 2005, não tem cenas de penetração, apenas sexo oral e masturbação com submissão e alguma violência. Neste filme Nacho não come nenhum dos rapazes e transa com Judy Mastronelli.

Nacho deu uma folga paras moçoilas e resolveu fazer filmes pornôs sem mulheres biológicas, com gays, travestis e transexuais como Ass Destroyers, She Plays With Her Cock, Mission: Transsexual, Trans XXL e as séries House of She-Males e She Said Blow Me. Com tantos títulos conclui-se que os fundos brasileiros devem representar uma grande fatia do faturamento da Evil Angel.

Em Ass Destryers a submissão não é apenas física (negros ativos x brancos passivos), ela também é econômica (rico x pobre). Seus instrumentos são o exercício da força e a recompensa monetária, tudo muito mal interpretado. Ass Destroyers repete a receita tão freqüente dos filmes de Nacho que é espancar e fuder com violência o cu de um fulano ou de uma fulana e depois desprezar o que foi objeto de prazer. Mas é possível ter pena de quem se lanha em cima de um pau? O que se pode ter é um sentimento que oscila entre de inveja ou repulsa. Nem dá pena a precariedade de uma produção como essas, porque a relação custo-benefício nos filmes pornôs está entre as mais vantajosas.

Do lado de lá e de cá do oceano, o estereótipo do homem latino não dá espaço para fraqueza. Macho agüenta tudo! Um tapinha, uma metida no cuzinho, pegar o touro a unha... nada disso dói. Até aí não há nada de revelador em Ass Destryers, a não ser o modo como Nacho atua, como figurante principal, oferecendo dinheiro a mancheia para que os caras se submetam ao suplício de terem os cus arrombados diante das câmeras. Os ativos desse filme fazem o papel que Nacho reserva para si nos filmes hetero. Nenhum com o mesmo desempenho. Já os passivos fazem o papel que as moçoilas fazem com menos sacrifício.

A primeira seqüência acontece em uma suíte temática de um motel kitsch. No terraço com piscina, Andrei, ridiculamente amarrado, faz o papel de condenado esperando a hora da execução, um São Sebastião de araque. Antonio e Poax são os seus algozes, prometem meter dois paus no cu dele, mas não cumprem, só Antonio mete. Poax é um mulato bonito, forte, uma marca de facada no abdome não macula seu aspecto olímpico. Passivo, tem dificuldade de ereção e como cu não broxa, usa-o como poucos. Antonio faz o papel de ativo e mete pica em Andrei e Poax. Andrei é figura conhecida do pornô gay tupiniquim e internacional, ele aparece como Andrey Dimas em Primal Urge (AMG Brasil), tem um cu com pingüelo, um design anatômico que em muitos lugares chamam de cuceta. Seu pau é acima da média e no melhor da transa surpreende metendo no cu de Poax. A apoteose desse tricotê é Poax sentando no pau de Andrei e de Antonio alternadamente. O roteirista foi incapaz de sugerir uma dupla penetração em Poax, que seria é um castigo merecido pela promessa descumprida.

Na seqüência dois, Juan Pablo está na rua esperando o ônibus com cara de colegial que quer levar pau. Nacho Vidal está guiando um carrão e no banco do carona seu interlocutor ouve a proposta de receber cem dólares se comer um cu de outro homem, contanto que deixe Nacho assistir a cena. Nacho argumenta que nunca viu tal coisa, quer ver e ainda diz o que deve ser feito: depilar e socar um caralho de plástico no cu do escolhido. Feito o trato, encontram Juan Pablo à beira da calçada. Oferecem uma carona, ele aceita e começa a barbárie num apartamento vagabundo, daqueles que existem no centro de São Paulo. O rapaz é sodomizado por Renzo, um negão que usa objetos furicofurantes. Encenam uma violência mambembe mas não inteiramente desinteressante porque Juan Pablo dá com tesão e sempre conforta um coração verde-amarelo ouvir um mulato falando português num filme estrangeiro. Dá a ilusão de que, enfim, se reconhece o Brasil como potência galática, que o país já alcançou o grau de investimento que tanto interessa.

A seqüência três é a melhor do filme, Nacho relata para o delícia do Júnior Carioca o que aconteceu na seqüência anterior, quando deu cem dólares para ver um amigo fuder o cu de outro. Encontram um michê (Santiago Perez a.k.a. Ygor Peixoto) trabalhando na rua cobrando duzentos reais para dar a bunda. Uma pechincha! É contratado na hora e levado para a mesma locação da primeira seqüência. Perez é um branco bonito, sarado, tatuado, com lábios carnudos, bunda grande, dura, com um cu elástico, é o único de quem se pode ter uma dó sincera: seu olhar transmite a aflição exata que o personagem exige quando Júnior Carioca enfia o pé cheio de pereba na sua boca. Perez vale mais do que o que cobra, é o único no elenco que tem talento para uma carreira cinematográfica auspiciosa. Júnior Carioca é um negro forte e rude, tem um pau acima da média, mas não impossível. Sua gozada abundante faz um belo contraste com sua pele escura.

A seqüência quatro tem outro negão delícia (Gabriel) comendo um branco (Félix Stulbach). Eles se encontram no topo de um edifício de onde se vê a feiúra incomparável da cidade de São Paulo. Do telhado a ação desce a uma trivial sacanagem no mesmo apartamento da seqüência dois. Nada de notável, Stulbach já fez melhor noutros filmes.

Na seqüência seguinte voltamos ao terraço com piscina do motel kitsch. Andrei, dessa vez está na água cantando como uma sereia do Cabo das Tormentas. Nacho está contando dinheiro e pede a André Garcia, um crioulo folgazão, que faça qualquer coisa para Andrei se calar. Nesse caso resta pouco a ser feito além de meter uma pica na boca dele, depois na cuceta para finalizar essa foda aguada.

Durante o filme inteiro o próprio Nacho dá instruções, em português castiço, para os atores. Parece que por descuido do editor de som essas instruções são ouvidas. Já o editor de imagem cortou bem menos que o necessário e o filme ficou demasiadamente longo (2 h, 57 min.), ficar tanto tempo sentado vendo esse filme destrói também o cu do espectador. Deixou-se de suprimir os trechos gravados em que os atores interrompem a ação para ouvir as instruções do diretor. O resultado é tosco. O filme é tecnicamente fraco, são inúmeras as cenas que a lente da câmera fica melada, os atores foram recrutados no circuito da michetagem de São Paulo (produtoras de vídeos, boates, saunas e na rua). Tudo beira o amadorismo. Mas nenhum dos aspectos negativos do filme está presente por descuido ou por acidente.

A precariedade já havia se tornado estilo antes mesmo de Glauber Rocha fazer suas merdas, os gêneros pornográficos apenas adotaram-no, usando cus que não cagam. Os filmes gays de Nacho não decepcionam pela precariedade, mas porque falta neles ver o próprio espanhol boiolando.





Saiba mais:

Acesse o site da produtora Evil Angel

14 comentários:

  1. Anônimo9:52 PM

    ridiculo esse filme e as pessoas sque fazem isso,sexo é pra ser feito com amor e nao com tanta agressividade,odio e humilhacao,apresentada nesse filme.o mais alarmante de todos foi fazer um oral quase morrendo asfixiado pelo saco que o rapz botou em seu rosto,isso devia ser denunciado,um horror!

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  2. kde os links pra baixar???

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  3. Cara, é repugnante. É por isso que quando um cara me dá um tapa mais forte eu logo revido é com um murro. Tem gente que é besta, só por muito dinheiro para eu tolerar isso, 100 doláres não vale humilhação.

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  4. Anônimo2:50 PM

    Eu vi esse filme e também achei um horror. Ygor Peixoto, coitado, só aceitou participar porque tava precisando de muito dinheiro pois a mulher dele tava gravida.

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  5. hehehe muito escroto esse, mas tem quem goste e não condeno, quem gosta de apanhar, ser humilhado e levar rola eu até ajudo, com tanto que não façam comigo. Quanto ao Ygor Peixoto, que o anônimo mencionou, tava precisando de dinheiro e rola também pelo visto, não viu como ele tava excitado apanhando e levando pica? Se não tivesse gostando nem aceitava o trabalho ou nem ficava excitado!

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  6. ONDE BAIXO O FILME GENTE.. .POSTEM O LINK POR FAVOR...

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  7. Caro Adonay:

    O blog do BORIS TRANSAR não armazena nem compartilha arquivos audiovisuais.

    Caso você esteja mesmo interessado em baixar Ass Destroyers deve procurar os links dos COMPARTILHADORES DE TORRENTS na coluna da direita do blog.
    Outras formas de consegui-lo são:
    Pedir para comunidades de filmes no ORKUT, como a JACK VIDEOS;
    Baixar pelos programas E-mule e Kazaa;
    Pedir em blogs que compartilham filmes, como o SUPER MALE DOWNLOADS;
    Procurar nas locadoras, como a DVD G.

    Cordialmente,

    BT

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  8. Dêem um tempo!Pra quem curte,o filme é uma delícia.Sexo entre machos viris e cheios de testosterona,tem que ter muito tapa,dominação e humilhação. O Dominador e o dominado.O predador e a presa.Claro que fora das quatro paredes tem que haver respeito e carinho.Mas na cama,tudo vale.E o negão de sunga preta é tudo de bom!virei fã dele

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  9. Anônimo1:16 PM

    nao acho ridiculo... muito pelo contrario acho absolutamente alucinante,oq acontece é q a maioria das pessoas nao conseguem enchergar o sexo como um campo a parte de todo o restante de suas vidas,mas o sexo é algo a parte sim , é na hora do sexo que liberamos o nosso lado mais verdadeiro,nosso lado B,a selvageria a dominação a "humilhação" que dentro do jogo sexual nao passa de uma brincadeira,pq tenho certeza na vida pessoal fora do contexto sexual,ninguem acha graça em ser humilhado ou agredido,mas dentro de 4 pardes com um macho gostoso de sunga e pau durasso.... estranhamente aceitamos as regras do jogo que podem incluir qualquer fetiche....
    é muito tabu pra cabeças estreitas aceitarem
    mas enfim ...viva a diversidade de fetiches

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  10. não entendi uma coisa: nacho vidal participa do filme? já cruzei com ele aqui no rio na rua, de noite e achei ele moooito pintoso, calça mega colada branca e uma camiseta tamanho pp, bem longe do visual apenas michê, ele mais parecia gay mesmo,se eu não tivesse o reconhecido acharia q ele era mais um da "familia". mas afinal ele fode homens nos filmes ou não?

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  11. Olha, gostos a parte, o filme sendo ruim ou não, o que importa é que eu ri demais lendo seu texto.

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  12. Anônimo7:32 PM

    Atoron perigom

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  13. Angelusie9:54 PM

    Oh c'mon, this is a movie .. guys!
    I really loved Santiago Perez, he's stunning

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  14. Anônimo8:35 PM

    sou fâ dos fimes gays brasileiros, gosto muito dos atores,gostaria muito de ter esse fime,se fosse pra fasere nao faria, mais gosto muito de ver.

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