quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mil orgasmos pela arte

Mil orgasmos pela arte
Neovanguardas e pornô
Quem, por desventura, não compreender o empenho desta equipe em produzir este blog, atente para esta matéria. Ela lançará luzes sobre o surgimento, a existência e a nossa missão, necessárias desde que a proliferação dos blogs levou tantos internautas a questionarem a qualidade da informação que circula neles.
Jeremy Walker Randy Blue
^ Jeremy Walker, Randy Blue (2008).

Através do exame dos filmes pornôs gays, amiúde considerados um tema menor, este blog tem procurado dar um sentido a essa produção audiovisual, talvez a mais consumida e a menos discutida na produção artística contemporânea, o único produto da indústria cultural ainda não inteiramente absorvido pela moral normativa. Este blog discorre sobre um período de menos de quarenta anos, articulando o pornô gay a todas as áreas do conhecimento que possam vir em seu auxílio.
GERARD DAMIANO
^ Gerard Damiano.
 
Como qualquer outro produto, esses filmes, seus artistas e seu público são testemunhas e resultados de um tempo e de um espaço. Para melhor conhecê-los, sem querer se colocar dentro de um esquema acadêmico e livresco que, de fato, raramente lhes deu tratos, este blog pretende apenas estar presente no veículo que se tornou tão adequado à pornofilia, a internet, cuja confiabilidade não é menor do que de outro meio qualquer. No que pese desfavoravelmente a desordem estrutural da rede, a rapidez de seu desenvolvimento torna-se uma vantagem e, no seu compasso acelerado, na sua economia de meios e usabilidade, a teoria torna-se um assunto do aqui e do agora, semelhante ao que também acontece no pornô.
Jack Wrangler
^ Jack Wrangler.
 
A matéria Aos calouros com carinho sugeriu o mote para escrever a matéria deste mês de julho. Quando o ator Jack Wrangler (1946-2009) afirmou que atuou nos filmes pornôs gays “por estar insatisfeito com a vida que levava, pelo desejo de viver uma aventura e, principalmente, por considerar estes filmes culturalmente subversivos e libertadores políticos”, há duas hipóteses a considerar. A primeira, de que ele estava sofismando e, assim sendo, o assunto se encerra, a não ser que se queira tratar das formas de enganar uma esposa com floreios, mas este não é local para isto. A segunda, de que ele deixou transparecer duas das aspirações mais fecundas das vanguardas artísticas: a crítica da separação entre arte e vida e a arte como subversão da ordem instituída. Assim sendo, somos levados a relacionar pornô e arte, e este é local adequado.
Fountain, Marcel Duchamp
Fountain, Marcel Duchamp.
 
O erótico, entendido como a representação do ato sexual de forma não-explícita, sempre esteve presente na arte, muito antes do mundo estar inteiramente erotizado, como hoje. O pornô, entendido como a representação explícita dos atos sexuais, é igualmente antigo, contudo o mundo atual está apenas parcialmente pornolizado. A arte serviu-se à exaustão do erótico para provocar o puritanismo conservador. Quando este não se sentiu mais provocado com o erótico, a arte começou a se servir também do pornô com a mesma finalidade. Fountain (1917), um ready-made de Marcel Duchamp (1887-1968), por exemplo, foi considerado obsceno não pelo que mostra, um urinol de louça branca, mas pela quantidade enorme de pênis que um objeto como aquele evoca. O título reforça a ausência dos falos, já que o urinol não é fonte, é aparador dos fluidos dos falos, estes que são, dentre todos os objetos existentes, certamente os mais cultuados.
Marcel Duchamp como Rrose Sélavy.
^ Marcel Duchamp como Rrose Sélavy.
 
Duchamp foi um grande artista, um provocador, notório punheteiro, tarado incorrigível, conquistava indistintamente homens e mulheres, mas não há noticias de que fosse homossexual, não de forma assumida. Toda sua obra rescende a sexo, masturbação e fetiche, com representação de travestismo e androgenia pelo próprio. E importa comentar a vida pessoal de Duchamp e de qualquer artista desde que eles propuseram o rompimento da dicotomia entre arte e vida. A crise da representação, da distância cada vez menor entre representação e realidade, foi uma das grandes questões enfrentadas pela Arte Moderna. Para artistas plásticos e muito mais para artistas dramáticos, representar confunde-se com ser.

Jack Wrangler, primeiro à esquerda.
^ Jack Wrangler, primeiro à esquerda.
 
Depois de Duchamp passaram algumas décadas até que filmes, shows e peças com sexo explícito começassem a surgir nos EUA, por volta do final dos anos de 1960, devido à conjunção de pelo menos três fatores independentes: os movimentos emancipatórios e de liberação sexual percorreram um longo caminho que levou a distensões que criaram condições para que questões de raça, sexo e gênero deixassem de ser unicamente objeto de luta política e pudessem ser, também, objeto de identidade, expressão artística e consumo. A substituição do Código Hays, da Motion Picture Association of América (MPAA), pela classificação de filmes por faixas etárias, de acordo com o conteúdo. As transformações no campo da arte favoreciam as práticas culturais engajadas e alternativas, que incluíram o uso do corpo, da mente e dos signos como expressão. O sexo, graças à ciência e à medicina, podia ser praticado de forma livre e segura, a gravidez indesejada e a doenças sexualmente transmissíveis deixaram de ser problema com o surgimento de métodos anticoncepcionais eficientes e todas as doenças sexualmente transmissíveis podiam ser tratadas com antibióticos. Até mesmo a Igreja Católica, mentora do Código Hays, tomou o caminho da renovação no Concílio Vaticano II.
Visions, Justin Monroe.
Visions, Justin Monroe.



Também na Europa, no Japão e na América Latina, considerando as diferenças locais, adveio o relaxamento de muitos limites morais e legais do comportamento e da expressão artística. Todos os movimentos que retomaram os princípios que nortearam as vanguardas pioneiras em outro contexto histórico, do capitalismo avançado, do consumismo exacerbado e tendo os EUA como pornô-potência mundial, podem ser chamados, genericamente, de neovanguardas. Elas transformaram as vanguardas em história e permanecem ativas até hoje. Seu advento permitiu aos artistas contar com uma variedade enorme de linguagens, técnicas e estratégias, inclusive aquelas que envolvem o corpo e os meios de registro, reprodução e transmissão audiovisuais. Hoje, a principal mídia das neovanguardas é a internet, onde inexiste uma das barreiras mais excludentes, aquela que distingue os homens entre especialistas e amadores. O capitalismo, que provou ser até dos excluídos, foi flexível o bastante para abrigar dentro do seu sistema produtivo as proposições mais e menos radicais de qualquer tempo. Ao mesmo tempo que fez da tolerância uma mercadoria de valor civilizatório.
Cosey Fanni Tutty
Cosey Fanni Tutty


Na época que Jack Wrangler disse a frase acima, qualquer coisa poderia ser considerada como uma obra de arte, sem nenhuma necessidade de atender anseios, contingências morais, pessoais, de ser subversiva ou libertadora política. Para tanto, bastava relaxar, deixar a coisa acontecer, e o resultado era arte. O cu foi protagonista não apenas no pornô, mas nas artes plásticas. Enlatou-se merda de artista e vendeu-se a peso de ouro como se fosse arte. Esse período foi de uma efervescência sem precedentes para os antes inexistentes movimentos gays e de atitudes trans-gênero. A rebelião de Stonewall aconteceu em 1969 e, desde então, as pessoas se sentiram mais confiantes em exprimir nos corpos o que andava nas cabeças. Artistas como Klaus Nomi (1944-1983), com vozeirão e figurino dadaísta a la Hugo Ball, Lou Reed (1942-), afilhado de Andy Warhol, visual leather e assíduo frequentador do lado obscuro de Nova York, David Bowie (1947-), andrógino e galático Ziggy Stardust, Tom Robinson (1950-), o intérprete e compositor da canção Glad to Be Gay, e o grupo The New York Dolls, que apareceu dando pinta com um visual glitter que não se via nem no submundo, todos estes artistas, entre outros mais, estavam, então, transpondo para o palco o clamor das ruas, das alcovas e do íntimo. Até onde se sabe, nenhum deles fez pornô na forma como estes filmes se consagraram, com a estrutura tripartite de chupada, metida e gozada ou nas suas variações. Contudo, o desbunde que eles protagonizaram, considerado softcore, estabeleceu uma relação de equilíbrio com o hardcore de Gerard Damiano, Wakefield Poole, Jack Wrangler e Peter Berlin, para citar apenas os pioneiros de primeira categoria. Os filmes pornôs possuem tanta afinidade com a expressão dos desbundantes e transviados de todas as épocas quanto com a obra de Dziga Vertov (1896-1954) ou François Truffaut (1932-1984), assunto para tratar noutra matéria.
COUM Transmissions.
COUM Transmissions

Entre o softcore e o hardcore há um amplo campo para ser explorado. Robert Mapplethorpe (1946-1989), Quentin Crisp (1908-1999) e Tom of Finland (1920-1991), cada qual ao seu modo, criaram condições para trazer para a cena uma prática sexual até então obscena, de consequências até para homens e mulheres heterossexuais. Na Inglaterra, Cosey Fanni Tutty (1951-), Genesis P-Orridge (1950-), Chris Carter (1953-) e Peter Christopherson (1955-) formaram o grupo COUM Transmissions e fizeram várias performances escandalosas no início dos anos 70, como Prostitution, no Institute of Contemporary Art, de Londres; depois formaram a banda Throbbing Gristle (uma gíria que significa ereção). Nos Estados Unidos, Jerry Dreva, a.k.a. Jerri Bonbon, (1945-1997), fez parte do Les BonBons, um grupo de drags que tocavam rock conceitual. Dreva atuou em performances, foi um mail artist ativo, obsceno e escreveu, com o próprio esperma, um curioso livro de arte chamado Wanks for the memories: the seminal work. Seu trabalho influenciou artistas como David Bowie (capa do single Ashes to Ashes, 1980) e Gronk (1957-), um artista de Los Angeles, membro fundador do ASCO, coletivo de arte multimídia, com quem Dreva manteve um intenso troca-troca de mail art. Dreva ficou conhecido como o “homem que teve mil orgasmos pela arte”, por ter enviado, pelo correio, assemblages com manchas sépia produzidas com esperma.
Jerry Dreva.
Jerry Dreva.

Jack Wrangler soube aproveitar o ensinamento de todos eles, tendo mil orgasmos pela arte, ou mais, e a frase dita por ele indica que ele tinha consciência a respeito de uma existência não-satisfeita. Demasiadamente humana, esta consciência se manifesta de forma mais intensa nos artistas cuja sensibilidade é tão tocada pelas incertezas. Quando Jerry Dreva afirmou que “o que estou tentando fazer é apontar um futuro onde a arte não mais existirá como uma categoria separada da vida”, ele estava manifestando, com outras palavras, a mesma consciência de Jack Wrangler.
Terry Richardson.
Terry Richardson.

Os estudos que Wrangler fez na Northwestern University, em Evanston, Illinois, não serviram apenas para a construção de sua própria consciência e de seus personagens, mas, igualmente, para identificar valores existentes nos produtos industriais que os distingue dos objetos de arte tradicionais. Na época em que estrelou Eyes of a Stranger (Magnum Studios, 1970), um dos primeiros filmes pornôs gays lançados comercialmente nos EUA, as razões para considerá-los culturalmente "subversivos" e "libertadores políticos" eram parcas porque eles eram, sobretudo, produtos industriais que visavam o mercado. Questões outras, como a qualidade do produto, valor artístico e ideologia, embora estivessem presentes, eram secundárias mesmo quando favoreciam as vendas. O pornô não é uma corrente autônoma, mas integrante do sistema das artes e da indústria cinematográfica. Também no seu nicho específico, o lucro é o que importa, independente do que move quem faz a cena.

Memoria em Disputa Arte Obscenas em foco
Para concluir, o pornô não pode ser considerado como cinema de vanguarda. Pela sua estrutura “aberta”, eles flertam muito mais com as correntes do underground, da contracultura e das neovanguardas do que com as vanguardas, de estrutura mais “fechada”. Este tem sido o seu lugar na produção artística contemporânea.

sábado, 27 de junho de 2009

Aos calouros com carinho

Aos calouros com carinho
Wrangler: Anatomy of an Icon
Wrangler: Anatomy of an Icon
Grande parte dos e-mails que este blog recebe continua sendo de rapazes querendo ingressar na carreira de ator pornô. Eles escrevem para tirar dúvidas e pedir orientações. Embora os que fazem este blog dificilmente possam ajudar alguém neste sentido, fazemos as recomendações de sempre, repetindo o que já foi feito na matéria intitulada Primeiro emprego, publicada aqui em novembro de 2006. Para qualquer calouro toda a cautela é pouca e ousadia nunca é demais. Se são demais os perigos dessa vida, o ator pornô gay incorre em um risco que é próprio de carreiras ligadas ao sexo: a aceitação dessas profissões no ambiente social onde se vive. Dependendo desse ambiente, as chances de entrar e sair da profissão com dignidade são remotas. Diante de tantas carreiras mal sucedidas, que terminaram em tragédias, no mundo do filme pornô gay, muitos devem duvidar que seja possível alguém fazer filmes pornôs, enquanto a aparente juventude durar, e depois mudar de profissão, levando uma vida tranquila, até a boa idade, sem nenhum estigma. A esse respeito foi lançado, no final do ano passado, um filme que pode interessar a quem está ingressando na carreira pornográfica e a todos os pornófilos.

Wrangler: Anatomy of an Icon (Automat Pictures, 2008) é um documentário de longa metragem sobre um ator de antanho: Vida e obra do norte-americano Jack Wrangler (1946-2009), falecido no último mês de abril, aos 62 anos de idade, em Nova York. Este filme já havia recebido a atenção deste blog na matéria do último abril, intitulada GayVN Awards 2009, quando recebeu o prêmio de Best Alternative Release. Dirigido por Jeffrey Schvarz (40), também produtor, especializado em fazer filmes sobre a indústria cinematográfica, o filme interessa sob os mais diversos aspectos. Pelo assunto tratado, o surgimento dos filmes pornôs gays e héteros, entre o início dos anos 70 até o surgimento da AIDS, período considerado a Belle Époque do gênero; pelo perfil do personagem bem educado, bem nascido e bem dotado; no enfoque ousado do diretor que indistingue a indústria do filme de sexo explícito das outras produções audiovisuais, ponto de vista muito atual, haja vista a quantidade de títulos lançados, o faturamento e o nível de profissionalização que tiraram a maior parte das produtoras pornôs das categorias marginal e amadora nos últimos anos. A vida de Jack Wrangler, narrada pelo próprio e por pessoas ligadas a ele, é mostrada de uma forma que o homem e a obra se complementam – Jack parece ser intenso em tudo o que fez, não tendo sido jamais um dissimulado, deve ser admirado pela grande franqueza. O filme fica a desejar pelo formato expositivo que foi adotado pela direção. Todavia, esse formato é eficiente para o que se objetiva, que é contextualizar e aproximar, com uma linguagem simples, o tema do público. A morte de Jack Wrangler chegou a ser notícia em veículos de comunicação não dirigidos ao público gay do Brasil e do mundo, o que é raro, mas o que difere o documentário da notícia é que esta é emera e superficial, enquanto o documentário, mais consistente, além de informar, oferece uma interpretação pessoal do assunto.
Jack Wrangler

Schvarz documenta o que já se sabe: nos filmes pornôs há lugar para bons moços. Ele não polemiza sobre a importância atribuída a Jack como ícone da liberação sexual e do estabelecimento do estereótipo do gay viril hipertrofiado. Dentro da sociedade homofóbica dos EUA o tipo de gay efeminado era por demais chocante, nunca teve aceitação social e só tinha visibilidade quando aparecia de forma cômica em filmes e espetáculos de teatro. O tipo de comportamento mais conveniente para o gay era a neutralidade, uma complicada tática de camuflagem para se fazer insuspeito. No final dos anos 60 apareceu o tipo que nem era efeminado nem neutro, era o viril hipertrofiado. Esses três tipos, e suas variações, resumem, ainda hoje, padrões morfológicos e comportamentais dos homossexuais em geral. Jack e outros atores, como Roger e Al Parker, seus parceiros em alguns filmes, cultivaram a virilidade como estereótipo e a levaram às últimas conseqüências, fazendo cenas antológicas em que machos cheios de testosterona são sodomizados. Esse tipo de homem é uma apropriação do Marlboro Man, personagem popular, cowboy viril que foi inventado pela publicidade, em 1954, para convencer que cigarro com filtro não é coisa exclusiva de mulher. Eles entenderam que se um macho pode fumar cigarro com filtro eles também podem, sem se igualar a elas, fazer outras coisas mais que até então foram franqueadas apenas às mulheres. Essa idéia imortal sobreviveu à apologia ao tabaco. Fumante, Jack morreu de enfisema pulmonar, segundo fontes ligadas ao ator.

Wrangler: Anatomy of an Icon permite perceber como a vida de Jack em muito se diferencia dos atores que fazem filmes porque não possuem muitas alternativas profissionais e precisam sobreviver. Nascido John Robert Stillman, em Beverly Hills, Califórnia, seus pais eram ligados ao mundo artístico. O pai se chamava Robert Stillman, produtor de filmes e de series de TV. A mãe, Ruth Clark Stillman, foi uma dançarina dos musicais de Busby Berkeley. Sua inncia transcorreu dentro da opulência da classe media norte-americana do Pós-Guerra. Aos nove anos de idade o garoto começou a carreira na série de TV The Faith of Our Children (1953-1955), uma série dominical, premiada com o Emmy Awards, sobre família e religião, que tinha no elenco Eleanor Powell (1912-1982), a sapateadora, já decadente.
Robert Redford
Embora possuísse talento, Q.I. e outros atributos, Jack, ainda usando o nome de batismo, não encontrou trabalho fácil, antes de entrar para os filmes foi garçom e dançarino. Um dos primeiros papéis que conseguiu, aos 24 anos de idade, foi no espetáculo Special Friends, uma das primeiras peças com temática homossexual escrita por Douglas Dean Goodman que foi exibida em San Francisco, Califórnia. Ele fez o papel de um ex-prostituto, go-go boy do Arkansas, que passava a maior parte do espetáculo seminu ou pelado. A discreta semelhança física com Robert Redford (72), que na época estraçalhava corações com filmes feito Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) e All the President's Men (1976) permitia que os numerosos fãs de Redford realizassem seus desejos com Jack.

Em 1970 ele fez a primeira apresentação num show de striptease usando o nome Jack Wrangler, o sobrenome foi tirado da marca da calça jeans que ele usava na ocasião. Versátil ao extremo, trabalhou em filmes gays e héteros e contradiz aqueles que duvidam que exista criação de personagem neste ramo da arte dramática. Quem acredita que os atores dessa especialidade são meros modelos ou atletas que na cena usam o corpo e nada mais, não o conhece. Jack estudou teatro na Northwestern University, em Evanston, Illinois, talvez essa formação tenha lhe dado a ferramenta indispensável para que ele entrasse em cena para fazer um filme hétero sem nunca ter comido uma buceta na vida. O fato aconteceu quando ele já tinha uma carreira bem sucedida no pornô gay e estrelou China Sisters (1978).
Margaret Whiting & Jack Wrangler
Mas essa não foi sua única façanha do outro lado da vida. Enfrentou de calças arriadas o preconceito da classe média de onde veio para fazer os filmes e os shows ao vivo nos inferninhos da Costa Oeste e em Nova York. A sua alegada dificuldade em viver ao lado de um homem pode ter sido determinante para Jack se casar com a cantora Margaret Whiting (85), 20 anos mais velha do que ele. Os dois se conheceram em 1976, um ano muito importante na vida dele, casaram em 1994, viveram juntos por 33 anos, nunca tiveram filhos e a deixou viúva. Quem acredita que não exista ex-gay, também não o conhece. Transando profissionalmente com homens e casado com uma mulher, Jack era incompreendido por de gays e héteros.

Dentro do contexto da época, tão importante quanto os movimentos de liberação sexual, ocorridos na década de 60, foi a substituição do Código Hays pela classificação de filmes por faixas etárias, pela Motion Picture Association of América (MPAA), em 1968. Só quando esse obstáculo legal deixou de existir começaram a aparecer os filmes, shows e peças com sexo explícito nos EUA. Depois que Jack apareceu em Special Friends, o diretor da Magnum Studios, uma produtora pioneira que também vendia revista de homem pelado, decidiu fazer um filme com ele. Assim foi lançado Eyes of a Stranger (Magnum Studios, 1970), um dos primeiros filmes pornôs gays lançado comercialmente nos EUA. Jack afirmou, certa vez, que atuou nestes filmes por estar insatisfeito com a vida que levava, pelo desejo de viver uma aventura e, principalmente, por considerar estes filmes culturalmente subversivos e libertadores políticos. Esta opinião é valiosa por revelar o verniz underground (mais do que vanguarda) presente nos filmes produzidos na Belle Époque do gênero. Em entrevista para a Gaywired ele comentou que “naquela época estávamos todos tentando descobrir quem diabos nós éramos como indivíduos, o que nós queríamos especificamente de nós mesmos, o que queríamos ser, quais eram as nossas potencialidades, quais eram as nossas diferenças, o que nos fazia únicos... Eu acho que é por isso que os filmes pornôs foram importantes, porque me fez constatar que há outras pessoas que gostam das mesmas coisas que eu”.

Jack Wrangler in Night at the Adonis
A lista dos filmes estrelados por Jack Wrangler talvez seja a mais eclética de todos os atores norte-americanos. Começa com uma série de TV dominical e termina com um remake de pornô. A quantidade de filmes estrelados por Jack, segundo o Internet Movie Database é de 43, realizados entre 1953 e 1986, uma quantidade modesta diante dos impressionantes 354 filmes estrelados por Rocco Sifredi. O último filme de Jack, aos 40 anos de idade, foi Behind the green door 2, um pornô hetero que pretendeu, sem êxito, dar sequência ao antológico Behind the green door, lançado em 1972. Em 1982 ele já havia tentado dar sequência a outro clássico, The Devil in Miss Jones, ao estrelar The Devil in Miss Jones 2, fazendo o papel do demônio com uma ejaculação infernal. Contudo, os melhores filmes de Jack Wrangler são, sem dúvida, os do período gay, realizados entre 1976 e 1979 – quando Jack já era um trintão. Pela idade ele nunca pôde fazer o gênero de homem com aspecto de pós-adolescente. Entre estes filmes estão, entre outros, Kansas City Trucking Co. (1976), um road movie pornô que lhe deu notoriedade; The Boys from Riverside Drive (1977), o primeiro da parceria que fez com o lendário diretor Jack Deveau (1935-1982), no qual Jack aparece numa cena introdutória com Malo; Hot House (1977), também dirigido por Deveau, mostra dois amigos, Roger, um rapagão de bigode preto, e Jack Wrangler, que dividem um apartamento frequentado por vizinhos tarados; Sex Magic (1977) é sobre um anel mágico que realiza os desejos de quem meter o dedo; Heavy Equipment (1977), dirigido por Tom DeSimone, é um filme imperdível, cheio de efeitos especiais e a presença dos Christy Twins, Roger e Al Parker; A Night at the Adonis (1978), outro dirigido por Deveau, se passa numa boate (Adonis) e tem uma grande suruba no toalete, com música disco de Sylvester (1947-1988).

Seus filmes heteros devem ser considerados com parcimônia, pelo menos aqueles em que fez sob a direção de Chuck Vincent, um diretor gay assumido que fez filmes em que estava mais atento em mostrar paus do que bucetas. Entre eles Jack and Jill (1979), Roommates (1981), In Love (1983) e Voyeur (1984). Nessa época a carreira cinematográfica de Jack já estava bem consolidada, mas ele não deixou de fazer teatro. Co-estrelou o espetáculo T-Shirts, no teatro Glines, de Nova York, e estrelou Soul Survivor, um o espetáculo sobre um gay que perde o namorado vitima de AIDS. Jack foi, ele mesmo, um sobrevivente da epidemia. Quando já considerava ter dado tudo o que podia no pornô gay ele publicou uma autobiografia intitulada The Jack Wrangler Story: Or What's a Nice Boy Like You Doing? (esgotado em inglês, inédito no Brasil) e começou a dar atenção para a carreira de Margaret Whiting, para quem escreveu o libreto do musical I Love You, Jimmy Valentine. Desde então, dizem que somente esta continuou a vê-lo pelado.

Não existe uma vida de todo exemplar, mas a de Jack Wrangler é, pelo menos como foi documentada neste filme, uma lição endereçada aos calouros com carinho.
Saiba Mais: Jack Wrangler no IMDB Wrangler: Anatomy of an Icon no IMDB Entrevista de Jack Wrangler no Gaywired

domingo, 31 de maio de 2009

Gêmeos

Gêmeos
Sexy semelhança

Por motivos que não cabe discutir aqui, sexo endogâmico é uma fantasia antiga que encontra confirmação no clássico Édipo Rei, de Sófocles, entre mãe e filho - um assunto tão melindroso que terminou em tragédia. Sabe-se que apenas uma pequena parte dos textos escritos na antiguidade chegaram até o presente, talvez não seja especular demais supor que tenha se perdido, entre eles, algum que envolva sexo entre irmãos gêmeos. Esta matéria abordará, apenas, sexo nos filmes pornôs gays estrelados por gêmeos idênticos (univitelinos) depois de ter sido constatado o crescimento do número deles atuando em filmes de forma bem sucedida. A atual geração de múltiplos logo estará chegando à idade de fazer sexo e filme, nesta ordem, na ordem inversa ou tudo ao mesmo tempo. Sem dúvida este assunto interessa os pais que desejam assistir a carreira dos filhos e também interessa a quem deseja levar alhures alguma discussão sobre o incesto fraterno na extensa escala da indústria pornô.Sexo entre gêmeos idênticos é um fato que, ao ser posto diante do que propôs Richard von Krafft-Ebing (1840 - 1902), o médico aleo que forjou a palavra homossexualidade para descrever e classificar o intercurso sexual entre parceiros do mesmo gênero sexual, pede a adição do sufixo ultra para diferenciar uma situação capaz de ser mais homo do que o sexo entre os iguais: o sexo entre os idênticos. A ultra-homossexualidade deve ter existido desde sempre na natureza, contudo, desde os anos 1970, ela se encontra documentada também na cultura, em vários filmes pornôs gays que este blog recomenda para o prazer do leitor pornófilo. O estudo dos filmes permitiu distinguir três tipos de ultra-homossexualidade, a primeira pode ser classificada de direta por apreserntar de coito entre dois ou mais irmãos gêmeos idênticos. A segunda pode ser classificada de indireta por apresentar um parceiro fazendo o papel de ativo ou de passivo para dois ou mais gêmeos idênticos. A terceira pode ser classificada de composta, pois reune todas as possibilidades de sexo com dois ou mais gêmeos idênticos. Em qualquer área da pesquisa ou do espetáculo, estes filmes recomendados aqui permitem enfoques variados.

Comecemos pelo exemplo mais próximo, os gêmeos brasileiros, cariocas, Caio e Carlos Carvalho. Lançados ao estrelado pela produtora yankee naturalizada brasileira, a AMG Brasil, eles podem ser vistos nos filmes Gêmeos (2006), Suruba: Bronze (2006) e Fazenda (2007), todos dirigidos por Denis Bell. Exclusivamente ativos, de pau médio e rigidez titubeante, a falta de versatilidade os deixa insossos em cena, dizem ter a profissão salva-vidas, por estarem acima do peso podem funcionar como bóias. Fizeram uns filmes praieiros, condizente com aspecto mareado da dupla. A atuação dos Carvalho sempre ficou aquém do desejado se comparados a qualquer dupla de gêmeos da atualidade. Só para ficar num exemplo, em Suruba: Bronze eles não se dignam a fazer uma reles dupla penetração no poposudo Mauro Reis, papel que parecia destinado a eles por todas as vias. Mas na hora H foram Lucas Ramiro e Léo Passos quem salvaram a qualidade de uma suruba que não é de ouro nem de prata, é bronze. Pelo fraco desempenho dos dois a falta deles não foi sentida nas recentes produções da AMG Brasil (Rio, Carnaval e Suruba: Azul). Dennis Bell está no Brasil para fazer filmes e ganhar reconhecimento com eles aqui e no resto do mundo e, com tal intuito, faz os filmes de sexo mais convencional possível para não fugir do padrão dos festivais que distribuem prêmios. Mas nem esses padrões, tão pouco ambiciosos, os gêmeos Caio e Carlos Carvalho conseguiram alcançar. Fora eles, não há notícia de outra penca de gêmeos brasileira nos filmes pornôs gays.

A dupla de gêmeos mais antiga da qual se tem notícia fazendo filmes pornôs gays são Tim Christy e Christopher Christy, dois loiros americanos que apareceram em sete títulos catalogados, muitos deles esgotados, produzidos e lançados entre os anos de 1975 e 1987 pelas produtoras Entertainment, P.M. Productions, Mustang e Falcon. Os dois atuaram com o lendário diretor Tom Desimone em Everything Goes (1975) e Heavy Equipment (1977), um filme que também apresenta no elenco o não menos lendário Jack Wrangler, falecido recentemente. Jack e os Christy fazem um tricotê num toalete masculino, daqueles especiais que tem glory hole na cabine. Os gêmeos Christy também ocupam funções técnicas em Heavy Equipment e Tim Christy pode ser visto sem o irmão em Catching Up (1975). Os outros títulos atribuídos à dupla foram School's Out (Mustang Pac 4, 1983 - 1986), Fist Full (Falcon Studios, Falcon Pac 43, 1985), dirigido por Bill Clayton, Round Up (Falcon Studios, Falcon Pac 38, 1984) e Take Ten (Falcon Pac 39, 1987).

A Bijou Vídeo lançou um DVD chamado Twins, uma compilação de cenas de sexo gravadas entre os anos de 1980-1987 feitas pelos Christy Twins e por outra parelha de gêmeos chamada O´Brian Twins (Sean e Tim). A única cena dos O´Brian que chegou até o presente tem aproximadamente 17 minutos e mostra os extremos a que pode chegar as relações entre irmãos, de competição a colaboração. Os dois começam uma lutinha que termina em fodinha num ambiente que pode ser perfeitamente a sala da casa dos pais deles. Todos estes filmes devem ser vistos por aqueles que apreciam o estilo pornô gay vintage com gêmeos.

Oscar e Gabriel Perón são dois gêmeos espanhóis que, entre outras publicações, posaram para as revistas Men (junho/1998), Honcho (julho/1998 e julho/2000) e Mandate (agosto/1998). Também fizeram filmes para a produtora Men of Odyssey em1998: Hard Body 2000, dirigido por Chi Chi LaRue; Twins, dirigido por Anthony Londano e Ryker's Revenge, dirigido por Jim Stell, filme premiado no GayVN de 1999 pela melhor cena de sexo grupal e pelos melhores extra. Ryker's Revenge é uma bem cuidada produção, com um bom e raro roteiro no qual um dos personagens é um crítico chato de filmes pornôs. É um metapornô, com o louraço Ken Ryker no papel principal. Numa cena de ofurô ele sodomiza, com a jeba imensa que lhe deu notoriedade, os dois irmãos Perón empoleirados, uma posição anatômica, que permite ângulos de enquadramento sensacionais. Talvez tenha sido neste filme que a posição “dupla de gêmeos empoleirados” foi usada pela primeira vez. Com o sucesso eles adicionaram o nome da produtora aos seus e se tornaram os “Odyssey Twins”. Tudo parecia bem mas depois desses filmes não se soube mais notícias de Oscar e Gabriel Perón.

Um exagero em quantidade de idênticos foi o aparecimento dos Visconti Triplets, Joey, Jason e Jimmy, nos filmes da Bel Ami Online. Eles são o que toda produtora de filme pornô gay sempre quis ter para levar as vendas à estratosfera. Talento triplicado, tri-bonitos, tri-gostosos, tri-versáteis, no começo da carreira só comiam, contudo Jason e Jimmy não agüentaram a pressão e capitularam. Eles já podem ser vistos levando tromba, em cima de uma mesa de jogo. Na mesma sequência também levam um dildo de duas cabeças de uma forma muito semelhante ao que foi feito por outra dupla de gêmeos, os irmãos Fabrizio e Fernando Mangiatti (Daniel Lautrec e Jean Lautrec), em Cruising Budapest V: The Mangiatti Twins (Lucas Entertainment, 2007). Talvez deva ser atribuída a estes dois e aos colaboradores Steve Hunt, ator, e Michael Lucas, o diretor, os dois parceiros ativos dessa sequencia, a originalidade da criação dessa engenhosa dupla penetração com dildo de duas cabeças em gêmeos.
O filme em que Jason e Jimmy Visconti fazem papel de passivos pela primeira vez diante das câmeras já está sendo distribuído pelo website Visconti Triplets, uma divisão exclusiva do Elite Male Studio, a produtora onde eles foram trabalhar desde que encerraram a rápida passagem pela Bel Ami. Contudo os dois filmes que realizaram lá, Brotherhood Secrets e Shameless BoyToys (Elite Male, 2008), dirigidos por Joe Budai, não possuem os atributos que os classifique além de três estrelas, uma para cada um dos irmãos. A produtora Bel Ami, por sua vez, na falta dos Visconti, resolveu contratar uma dupla de gêmeos substituta, eles se chamam Elijah Peters e Milo Peters, são bonitos, gostosos, versáteis e muito, muito safados. Os dois fizeram Cyber Games (Falcon International/Bel Ami Online) dando a bundinha lindamente para Tony Eliott e levando muita porra na cara e na boca. Dirigido por Rolf Hammerschmidt, Cyber Games é um filme cuja direção de arte e edição se esmeraram para dar unidade a vários episódios curtos feitos para internet. Os gêmeos Peters também podem ser vistos em filmes curtos online dirigidos por Lukas Ridgeston; um deles se chama Twins Elijah e Milo Peters fodem Dario Dolce; e há um outro em fase de finalização, ainda sem título, para ser lançado em junho próximo. Em Sex Buddies (2008) Elijah Peters e Milo Peters aparecem dando gostoso para Sebastian Bonnet e Luke Hamill.

Os irmãos Daniel Lautrec e Jean Lautrec são dois húngaros que apareceram em 2005 nos filmes Double Agent, dirigido por Csaba Borbely (Diamond Pictures, 2005) e The twins: Les jumeaux (Body Prod, 2005), dirigido por Herve Bodilis. Em apenas quatro anos de atuação profissional saíram das pequenas produtoras onde estrearam e fizeram filmes para as grandes Bel Ami (Flings 2) e Lucas Entertainment (Cruising Budapest - partes I, V e VI). A lista de títulos em que a dupla aparece já está chegando à vintena, com esse número eles podem se tornar os mais profícuos gêmeos da história do pornô gay. Além da incrível semelhança física eles causam confusão na platéia devido à constante mudança de nomes. Daniel Lautrec (com uma pequena tatuagem em cada ombro) já apareceu com os seguintes nomes: Fabrizio Mangiatti, Fabrizion Mangitalli, Fabrizio Mangiati, Fabrizio Mangiotti, Fabriziano Mangiatti, John Harris, Fabrizio Manchiatti, Alex Lynch, Daniel Lautrec, James LaCroix e Farbizio. Jean Lautrec (com uma grande tatuagem no ombro) já apareceu com os seguintes nomes: Maurizio Mangiati, Maurizio Mangiotti, Fernando Mangiatti, Fernando Mangitalli, Ian Lynch, Jean Lautrec, Jack LaCroix, Maurizio, Colin Harris e Maurizio Manchiatti.

Produtividade tão alta quanto a dos irmãos Daniel Lautrec e Jean Lautrec é a dos irmãos Alan Fisher e Alex Fisher que fazem filmes para o Miami Studios, cuja “Gemini Series” é uma campeã de audiência. Em Twins 3.0 (2007) a produtora reúne outra dupla de gêmeos chamada Hawke Twins. Tanto os irmãos Fisher quanto os Hawke têm talento e podem dar mais, contudo o nível das produções do Miami Studios é muito baixo para permitir a exploração de tanto talento dobrado.

No gênero bareback há Fucking Twins (Gordi Films, 2007), uma produção suíça dirigida por Gordon. A Gordi é uma nova produtora especialista no gênero bareback juvenil já com alguns títulos à venda. Milan Breeze é um repórter que sai à rua em busca de rapazes que aceitem fazer cenas de sexo nos filmes da produtora. Encontra vários, entre eles os irmãos gêmeos Jonny e Tommy Nero. Os dois aceitam o papel e são tratados de forma inclemente pela pica do tal repórter. Eles executam uma antológica cena de “dupla de gêmeos empoleirados”. Infelizmente não há outros filme desta dupla.

O veterano diretor William Higgins, autor de tantas obras memoráveis, é um especialista na temática do sexo endogâmico. Em Brother Load (Laguna Pacific, Catalina, 1983), filme com os irmãos Paul Madison e Bobby Madison, Joe Hardy e Tim Hardy, o diretor norte-americano explora a atração delicada entre irmãos mais velhos e mais novos. Este ano ele lançou Double Czech 2009 (William Higgins Productions, 2009), com os irmãos Konrad e Adam Richter, dois jovens magrelos, ainda desengonçados, que estão fazendo o seu primeiro filme, portanto o desempenho deles não pode ser julgado como se fossem veteranos. Eles começam a fita se aquecendo nuns aparelhos de musculação. A ação evolui para umas intimidades mornas, com uma primeira punheta recíproca. O diretor coloca um coadjuvante, Nikolas Rezac, para as intimidades evoluírem, então eles fazem sexo oral. Na terceira sequência os gêmeos Richter dão para o delicioso Bjorn Gedda que come os dois da forma consagrada “dupla de gêmeos empoleirados”. Eles terminam transando entre si na última sequência.

Double Czech 2009
é uma versão atualizada de Double Czech (All Worlds Video, 2000) - tipos de filmes onde os gêmeos são os astros. Com direção de Wim Hoff, a.k.a. William
Higgins, e estrelado pelos irmãos gêmeos, idênticos, Jirka e Karel Bartok. Passivões, os dois fazem a posição “dupla de gêmeos empoleirados” para dar para três no meio do mato. Na última sequência fazem sexo bareback num ambiente adequadamente doméstico e católico. Sem dúvida esta é uma das sequências mais íntimas do pornô gay desde a filmagem de dois polvos machos transando no fundo do mar em Out in Nature: Homosexual Behaviour in the Animal Kingdom (2001), o documentário dirigido por Stéphane Alexandresco e Bertrand Loyer. A cena final de Double Czech está ausente em algumas versões comercializadas do filme, o que prejudica sua unidade narrativa, também denuncia métodos de filtragem de conteúdo no pornô gay e interesses mercadológicos escusos. Os irmãos Bartok ainda podem ser vistos atuando nos filmes The Jan Dvorak Story (William Higgins Productions, 2001) e A Wank in the Woods (William Higgins Productions, 2001), do mesmo diretor. Em The Jan Dvorak Story eles dão empoleirados para ninguém menos do que o super-desejado Jan Dvorak (a.k.a. Pavel Novotny). A Wank in the Woods é um filme de somenos interesse, sem sexo, mostra 15 marmanjos batendo punheta no meio do mato.
Com tantas ocorrencias de gêmeos nos filmes pornôs gays não foi possível encontrar nenhum caso de negros ou orientais. Também foi pequena a dupla penetração de gêmeos ativos em passivos - uma apenas, dos Visconti Triplets. Entre humanos, apenas 1 em cada 250 nascimentos é de gêmeos idênticos. Esta sexy semelhança não é fácil de encontrar. Ainda mais difícil é que sejam gays, bonitos, gostosos e façam filmes pornôs. Mas a obstinação e a capacidade de persuasão das produtoras, aliadas ao prazer de fazer sexo para as câmeras explica a surpreendente abundância deles, o que torna a pesquisa do assunto deliciosamente exaustiva. Vê-los em ação é confuso e é difícil identificar quem é quem. Com a população cada vez maior e a vergonha no mundo cada vez menor, o espetáculo dos gêmeos fazendo sexo talvez esteja apenas começando.


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domingo, 12 de abril de 2009

GayVN Awards 2009

GayVN Awards 2009
Os vencedores da 11ª edição

Foi divulgado no último sábado, dia 28 de março, no Castro Theatre, em San Francisco, Califórnia, EUA, os vencedores do GayVN Awards 2009. O GayVN Awards é promovido pela AVN Magazine e faz parte do mesmo grupo editorial que publica a GayVN Magazine, o AVN Media Network. Entre 1986 e 1998 a premiação dos filmes pornôs gays acontecia dentro da programação geral AVN Awards, mas a partir 1999 estes filmes passaram a ter autonomia para celebrar seus próprios feitos. Este ano eles realizaram sua 11ª edição. A lista completa dos premiados está no link ao final desta matéria.

As indicações e os prêmios oferecidos a uma poção de produtoras de filmes pornôs gays, ávidas por vendas, concedidos por um grupo editorial fundado sob os ditames do mercado e com o objetivo de standardizar a produção, têm critérios altamente questionáveis. A existência de tal premiação não deve desestimular a platéia de fazer seu próprio julgamento, pelo contrário, deve fazê-lo tendo em vista a preferência pessoal e outros critérios que não sejam os interesses que movem essa mídia. Há nessa e em muitas outras premiações uma concentração de poder nas mãos de quem as promove que não pode ser desprezada: os que executam (produzem e comercializam os filmes) também são os que legislam (fazem as regras) e os que julgam (concedem as láureas).

No GayVN Awards 2009 houve de tudo um pouco. Algumas premiações foram justas e até previsíveis. Houve também o contrário, as injustas e as surpresas, enquanto algumas premiações, pelos motivos mais diversos, nem merecem comentários. Previsíveis também foram as banalidades da cerimônia como, por exemplo, o tema desportivo, que tem pouca relação com sexo e que parecia ressaca da olimpíada de Pequim. Os mestres de cerimônia Margaret Cho, Janice Dickinson e Alec Mapa tudo fizeram para animar um teatro lotado de convidados que parecia estar interessado em receber os prêmios e ir logo paras as animadas festas nas boates e inferninhos de San Francisco. Anualmente ingressa uma numerosa turma no Hall da Fama do Pornô Gay, este ano o lendário diretor Gino Colbert entronou a produtora Dink Flamingo, os atores Michael Lucas, TJ Paris, Dean Phoenix, Jack Simmons, Phil St. John e Chris Steele, desnecessário, pois todos eles já eram famosos antes de serem admitidos nesse Hall.

Ralph Woods recebeu o prêmio de Melhor Ator – Produção Estrangeira, pelo filme French Kiss da Bel Ami. Woods é um magrelo atraente, versátil, canadense de pouca idade e muita pica (22 anos e mais de 22 cm, as proporções áureas masculinas). É casado com o também ator pornô gay Pierre Fitch com quem contracena em alguns filmes e agora em produções próprias. Começou a filmar em 2006 para a Falcon e depois para a Bel Ami, onde já havia feito Some Like It Big, XL Files 6 e The Private Life of Josh Elliot. Muitos anos depois de mostrar Chance fazendo turismo sexual em An American In Prague (1997), a Bel Ami e o diretor George Duroy colocaram um canadense francófono para fazer o mesmo. O título não se deve apenas pela presença de Woods, mas também por French Kiss significar fellatio em inglês. Concorriam com Ralph Woods na mesma categoria, com pouca chance mas com a torcida brasileira favorável, os atores Rick Garcia por Rio (AMG Brasil), o argentino Tommy Lima, por Tommy Lima In Brazil: On the Beach (Alexander Pictures) e Miguel Torres em No Rest in This Room (Alexander Pictures), o resultado confirmou a expectativa.

Brent Corrigan recebeu o prêmio de Melhor Passivo pelo conjunto da obra e não por um filme específico. Embora algumas vezes faça papel de ativo, foi premiado por aquilo que sabe fazer melhor, dar a bunda. No GayVN 2009 ele concorreu em mais oito categorias (Melhor Cena Oral, Performer do Ano, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Filme Profissional/Amador, Melhor Filme de Lolito, Melhor Cena Grupal, Melhor Cena – Dupla). Corrigan caiu no gosto popular pelos seus dotes naturais, pela semelhança física com Zac Efron, pelos filmes bareback que fez no estúdio Cobra e devido à suspeita, amplamente divulgada, e logo desfeita, de que ele estaria envolvido no assassinato de Brian Phillips, o dono do estúdio, com quem tinha uma querela jurídica. Filmou na Falcon, agora está na Dink Flamingo atuando e até dirigiu um filme chamado Brent Corrigan´s Summit. Começou a carreira ainda menor de idade e hoje, aos 22 anos, já é um dos atores mais bem sucedidos da gayláxia – prova de que é de pequeno que a coisa cresce.

Barrett Long recebeu o prêmio de Melhor cena de gozada por todas aquelas que deu em XXX Amateur Hour Volume 6 (Dirty Bird Pictures). Long tirou o prêmio mais pela quantidade do que pela qualidade das gozadas. Concorrendo com ele na mesma categoria estavam dois páreos duros: o paraibano Rafael Alencar que fez Pounding the Pavement (Lucas Entertainment) e o italiano Francesco D'Macho, que fez Verboten 2 (Hot House Entertainment). Barrett Long é um ator com longa experiência e pica idem. Contudo sua atuação é irregular e seu vigor físico não resiste a um exame mais acurado. Long concorreu em mais quatro categorias (Melhor Ativo, Performer do Ano e Melhor Performer da Web) com alguma chance nesta última, mas entenderam que conceder-lhe duas láureas seria demais e esse prêmio foi entregue ao novato, gatíssimo, sarado e versátil Leo Giamani, que se diz ex-bombeiro de Nova York, é descendente de italianos e já fez filmes bareback, inclusive para a Macho Fucker. Ele pode ser visto online no Jake Cruise, Mighty Men, Randy Blue, CockSureMen, em novos filmes da Falcon, Titan Media e também em campanhas publicitárias.

Outro gatíssimo que fez jus ao prêmio recebido foi Logan McCree, escolhido Performer do Ano. Um prêmio esperado desde que esse fauno alemão estreou no filme Ink Storm, em 2007. De lá para cá fez mais sete filmes no estúdio Raging Stallion, entre eles To The last Men, e apareceu em ensaios fotográficos para revistas (Honcho, junho/2008) mostrando muito trabalho e um corpo maravilhosamente tatuado e atlético. Sexualmente versátil, McCree possui uma atuação surpreendente, incomum e que confere um ar mais leve aos filmes leather que é a especialidade da Raging Stallion.

Rick Sinz, seu colega de produtora e com quem compartilha algumas semelhanças, recebeu os prêmios de Melhor Ator e Melhor Ator Ativo, cofirmando uma estética física e uma forma de interpretação que agrada os jurados, a crítica e o público. McCree e Sinz são atores que impressionam pelo estilo e pelo desempenho, não pelo tamanho do pau.

O prêmio de Melhor Filme Alternativo foi para Wrangler: Anatomy of an Icon (Automat Pictures), um documentário dirigido por Jeffrey Schwarz sobre a vida do ator, produtor e diretor John Robert Stillman (1946-2009), mais conhecido como Jack Wrangler, que faleceu no último dia 07/04, aos 62 anos, de câncer no pulmão, como o homem do Marlboro que ele encarnou. Menino prodígio, Wrangler estrelou na televisão aos nove anos de idade. Em 1970 fez o primeiro filme pornô gay da carreira e um dos primeiros filmes comerciais do gênero, Eyes of a Gay Stranger (Magnum Studios), dirigido pelos desconhecidos Fred Clay e Abe Rich. Sua carreira decolou quando fez Kansas City Trucking Co. (His Video, 1976), dirigido por Tim Kincaid. Wrangler atuou em muitos filmes pornôs gays, trabalhando com grandes diretores como Jack Deveau e Tom DeSimone. Em 1979 dirigiu seu único filme, Jocks. Com tal desempenho, Wrangler tinha orgulho de se auto-afirmar como autêntico astro e ter seu nome em destaque sobre o título de muitos dos filmes que atuou, nome este que tomara de empréstimo de uma marca de jeans popular naquela época. Também foi o primeiro ator pornô gay a fazer filmes pornôs hetero e de outros gêneros com relativo sucesso. Wrangler: Anatomy of an Icon revela tudo aquilo que Wrangler foi no seu tempo: hiper-masculino, enigmático, inteligente, versátil, pioneiro, bem-nascido nas cercanias de Hollywood onde seus pais trabalhavam. Estava escrito que algum dia ele seria um astro, e foi no melhor estilo.

Outro veterano, lembrado na premiação do por GayVN Awards 2009 pelo seu papel pioneiro, movido por uma mistura de subversão cultural e liberação política, foi o diretor veterano Roger Earl, que recebeu, com merecida pompa, o Lifetime Achievement Award. Earl fez cerca de vinte filmes, alguns deles S&M para diversas produtoras, principalmente para a Marathon, nos anos de 1970-1980. Entre eles Born to Raise Hell (Psycho Films 1975), Gayracula (His Vídeo, 1983), Chain Reaction (Marathon Films, 1984) e Men With No Name (Marathon Films, 1989). Earl é um diretor cujos filmes rapidamente tornaram-se demodée, caindo num esquecimento injustificado. Este prêmio é um refresco na memória para que sua obra seja revista com as luzes do século 21.

A série Black Balled já está no volume 6, com o filme Under the Hood (All Worlds). Quem já conhece a série sabe do que se trata: gang-bang. Desta vez o filme dirigido por Chi Chi LaRue recebeu o prêmio de Melhor Filme Étnico. Estaria melhor enquadrado na categoria multi-etnico, porque há um branquelo sortudo, novato, chamado Dylan Saunders, chupando e dando para oito negões maravilhosos (Christopher Ashlee, Eddie Diaz, Aarin Driver, Derek Reynolds, Scott Alexander, Aron Ridge, Markus Ram, Ian Rock) dentro de uma oficina mecânica. Fica justificado o sorriso dele na capa. O filme é um abuso da capacidade de tubagem de um mesmo passivo. Ter ganho foi uma surpresa, porque filmes como Bling (Real Urban Men), Da Hating Game (Pitbull Productions) e Snow Ballerz (Flava Works), exclusivamente com negros, tinham mais chance. Pesou na decisão a tonelagem do diretor drag Chi Chi LaRue, que também levou o prêmio Trailblazer Award pela longeva carreira.

Italians and Other Strangers de Lucas Kazan, levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro sem que sequer seja o melhor filme desse diretor. Está longe da qualidade de filmes anteriores, como The School for Lovers (2006) que levou o mesmo prêmio em 2007, Decameron (2005) e L’Elisier D’Amore (2002). Mas não era isso que estava em jogo, neste resultado se percebe a tendência do júri em lotear os prêmios. Italians and Other Strangers concorreu em várias outras categorias e teria sido justo não mais que um prêmio ou dois numa categoria técnica. Lucas Kazan Productions é um estúdio fundado em 1998 na Itália já com muitos sucessos no currículo resultante do “modo latino de fazer” que guarda certa filiação estética com os filmes de Kristen Bjorn. Na prática eles são colaboradores na Sarava Productions. Estão presentes algumas características recorrentes na obra de Kazan, como as locações, a trilha sonora e a edição musical. O filme tem um narrador, Bruno Boni, ator que concorreu à categoria Melhor Ator – Filme estrangeiro. Entre uma cena de sexo e outra Boni se ocupa de exemplificar os tipos de gays que existem na Itália e no mundo. O tipo que parece mais ridículo de todos, como sempre, é o hétero que nem desconfia que é gay, interpretado por Marc Dievo. Nessa categoria estavam concorrendo filmes das produtoras AMG Brasil, Falcon International, Titan Media, Lucas Entertainment, entre outras. Fica aqui esclarecido que os critérios que definem o que são "filmes estrangeiros" no GayVN se devem muito mais à locação do que à produtora.

Um prêmio facilmente questionável foi concedido ao filme Return to Fire Island (Lucas Entertainment) na categoria Melhor Embalagem e comprova que a inovação não garante reconhecimento. O filme Suruba: Azul (AMG Brasil), também explorando o tema água (praia e piscina), possui um design superior e faz parte de um trabalho artístico que envolve fotografia e design como um todo. Geralmente as capas de filmes, de qualquer gênero, são desnecessariamente poluídas e confusas. Nesta categoria não houve exceção a não ser por Suruba: Azul. A concepção ousada deu ênfase a um único elemento, o corpo do ator Lucas Lucky, e deixou que a expressão dos vários tons de azul e da tipografia transmitisse a mensagem com clareza e sutileza. A AMG Brasil tem desenvolvido produtos com criatividade e qualidade inéditas neste país. No GayVN 2009 eles fizeram uma campanha que lhes valeu doze indicações por três filmes (Rio, Carnaval e Suruba: Azul), não levaram nenhuma mas chamaram a atenção dos mais atentos para a bossa que há neles.

No Brasil criou-se uma certa expectativa a respeito dessa edição do GayVN porque havia uma presença nunca vista antes de atores brasileiros concorrendo e das produtoras estrangeiras que os empregam. A presença foi forte na categoria Melhor Filme com Temática Étnica – Latino. Concorreram Bathhouse Exxxtasy (Alexander Pictures), Rio e Carnaval (AMG Brasil), Tommy Lima in Brazil: In the jungle e No rest in this room (Alexander Pictures). Quem levou o prêmio foi Roman's Holiday (Falcon), cujas qualidades estão apenas no desempenho do elenco (com ação em Buenos Aires e elenco argentino-brasileiro), do protagonista Roman Heart, e não no filme.

Diga-se de passagem, que a poderosa Falcon teve nesse ano um desempenho muito fraco na indicação e conquista de prêmios, tendo recebido apenas mais um, Melhor DVD de Filme Clássico, por Best of the 1970s, um filme que é testemunha de um passado em que a produtora ainda nem existia, pois começou a produzir em 1982 com o filme Huge, dirigido por Matt Sterling.

Na categoria Melhor Ator Estreante quem levou o prêmio foi o nem tão novato assim Jackson Wild. Nesta categoria foi percebida pelos pornófilos brasileiros a argentinos a ausência do ator Marco Blaze. Muito popular, Blaze foi escolhido no ano passado pelo público do blog Mister Man como o Homem do Ano. Dylan Saunders, o sortudo passivo de Black Balled 6 também não foi indicado. Os irmãos trigêmeos Visconti eram também estreantes favoritos que acabaram chupando pirulito.

Finalmente a produtora que mais recebeu indicações e o seu filme arrasa-quarteirão. A Raging Stallion bateu o recorde de indicações e To the Last Man foi o filme que mais recebeu prêmios, um total impressionante de 16, entre eles Melhor Filme e Melhor Direção, concedidos para o trio desencontrado formado por Chris Ward, Ben Leon e Tony Dimarco, este último ainda ganhou o prêmio de Melhor Roteiro. Aqui está toda a evidência do poder da mídia e do mercado na decisão porque To the Last Man não faz jus a tantas láureas. É um filme longo que não trouxe nada de relevante nem minimante inovador, comercializado em duas partes principais, sem contar os bônus, extras e tudo o mais que inventaram para torná-lo ainda maior em vez de encurtá-lo. A primeira parte, The Gathering Storm tem mais de 3 horas de duração e nela são mostrados os ranchos The Double K e The Flying V. Nesses ranchos trabalham caipiras que na segunda parte, Guns Blazing, com 2 horas e meia de duração, se envolvem numa matança até só sobrar um único vivo. Chato, inadequado, umas boas e raras cenas de sexo não compensam a obra como um todo. Os prêmios merecidos são ofuscados por aqueles que só podem ter sido resultado de puro jabaculê. Fica a estranha sensação de que na estandardização do filme pornô gay, promovida pela indústria, a ética deles permita álcool, tabaco, violência, armas e trabalho semi-escravo que é o que se entende pela legenda que informa que os atores são "Raging Stallion Exclusive". Eles bem merecem os benefícios da lei do passe livre. E a platéia não merece ver "vinganças tenebrosas e cadáveres a granel".

A próxima grande premiação da indústria pornô gay norte-americana será no dia 23 de maio com a entrega, em Chicago, do Grabby 2009 Erotic Video Awards.

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